Solidariedade entre Gerações

O envelhecimento da população é um dos maiores desafios do século XXI. Em todo o mundo, em cada dois segundos, duas pessoas celebram o seu sexagésimo aniversário, o que perfaz um total de 58 milhões de pessoas por ano. A nível mundial, uma em cada nove pessoas tem mais de 60 anos e prevê-se que, em 2050, este rácio seja de uma em cada cinco. A Europa é o continente mais envelhecido. Na União Europeia há mais de 87 milhões de pessoas com mais de 65 anos, o que corresponde a mais de 17% da população. 

O declínio das taxas de fertilidade e o aumento da esperança de vida levaram ao envelhecimento progressivo da população. A esperança média de vida é de 78 anos nos países desenvolvidos e de 68 anos nos países em desenvolvimento. 

Segundo as projecções demográficas do EUROSTAT, em 2030, a Europa terá menos vinte milhões de pessoas em idade ativa. Ou seja, haverá nessa altura duas pessoas no mercado de trabalho para uma reformada. Tendo em conta que o rácio atual é de quatro para uma, o que já levanta problemas de sustentabilidade dos sistemas de segurança, se a tendência se concretizar, a pressão nos orçamentos públicos e nos sistemas de pensões, bem como nas prestações sociais e de cuidados às pessoas mais velhas, vai ser insuportável.

Tendo em conta este diagnóstico, compreende-se que a Comissão Europeia, com o apoio do Parlamento Europeu, tenha designado 2012 como o “Ano Europeu de Envelhecimento Ativo e de Solidariedade entre Gerações”, com o intuito de “melhorar as oportunidades de trabalho para os mais velhos, combater a exclusão social e ajudar estas pessoas a participar mais ativamente na sociedade, prevenir a dependência e encorajar os cidadãos para um envelhecimento saudável”. Envelhecimento ativo assente na solidariedade e cooperação entre gerações. Neste diálogo intergeracional, partilham-se conhecimentos numa simbiose entre a experiência dos mais velhos e a criatividade dos mais novos. Como escreveu Victor Hugo,  “nos olhos do jovem arde a chama, nos do idoso brilha a luz”. O envelhecimento ativo tem de fazer parte integrante do modelo social europeu, assente nos 3 pilares: vitalidade, dignidade e solidariedade entre gerações. A sociedade europeia tem de ser uma sociedade para todas as idades.

Todas as idades têm o seu encanto. Importante é termos cuidado com a saúde, mantermo-nos ativos, física e inteletualmente, para vivermos mais anos com autonomia e qualidade. Ou seja, pôr em prática a máxima de Juvenal: mens sana in corpore sano. Costumo dizer que as minhas rugas e cabelos brancos significam experiência, vivências, obra feita com dedicação à coisa pública, etc. Ao longo do curso natural da vida, perdemos algumas qualidades, mas ganhamos outras. Perde-se destreza, mas ganha-se sabedoria. Perde-se  

Graças à investigação científica e ao desenvolvimento tecnológico, aumentou muito a esperança de vida e a vida com qualidade. Aliás, o próprio conceito de idoso evoluiu. No tempo dos meus bisavós, era-se velho aos 50 anos. Hoje, aos 65, poucos aceitarão ser olhados como velhos.Envelhecer com saúde e autonomia constitui hoje um desafio à responsabilidade individual e coletiva. Há pequenos cuidados que podem fazer a diferença: exercício físico e uma alimentação equilibrada. Por exemplo, andar meia hora por dia, não exige grande esforço, não custa dinheiro e dá bons resultados. Mais vale gastar no ginásio e numa alimentação saudável do que na farmácia. Prevenir sempre foi mais eficaz e mais barato que remediar.