Tão bons mas tão maltratados!

Apesar de ter vindo sempre a melhorar; apesar de muitas avaliações institucionais externas das nossas instituições de ensino superior (IES) colocarem dois institutos politécnicos portugueses (IP), um deles o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), acima de dois terços das universidades portuguesas (UP), os IP ainda continuam a ser vistos pelas nossos dirigentes políticos (DP) e população em geral (PG) como instituições de segunda e os professores dos politécnicos (PP) veem direitos fundamentais ser-lhes negados, tanto pelo Estado como pelos colegas das universidades.
A reforma que Mariano Gago (2005-2011) construiu tinha como objectivo diferenciar o que era burocraticamente igual e tinha na avaliação das IES o principal instrumento para a diferenciação delas. Este raciocínio era não só correcto como necessário porquanto o sistema, dividido, burocraticamente, em universidades, legalmente boas e de primeira, em abstracto, e politécnicos, maus e de segunda, em abstracto, não permitia evidenciar a qualidade de cada uma das instituições.
Quando Mariano Gago lançou a avaliação institucional das IES, lançou esperanças pois, nas palavras do próprio, «pode haver universidades que passem a politécnicos e percam cursos e graus, e politécnicos que passem a universidades e obtenham muitos mais cursos e graus». No entanto, em contradição com este princípio, Mariano Gago deu a todos os politécnicos a possibilidade de ministrarem mestrados não legislando nem diferenciando possibilidades de os IP poderem ministrar doutoramentos embora tenha legislado a possibilidade de as universidades perderem cursos e estatuto. Porém, com a saída de Mariano Gago perdeu-se esta orientação.
O XIX Governo Constitucional (o actual, com base na Coligação PSD-CDS) tratou de repor a categorização burocrática de universidades e politécnicos, aquelas boas em abstracto e estes maus em abstracto, e em congruência, determinou que os cursos superiores técnico-profissionais fossem ministrados essencialmente em IP, com vista à perda, por estes, de muitos mestrados.
De Mariano Gago sobrou apenas o edifício da avaliação institucional externa, de base internacional; a avaliação interna e externa de cursos; e a prática de elaboração de rankings, já anteriores àquele ministro.
Sucessivamente, o IPB tem aparecido, em vários rankings, à frente da maioria das universidades portuguesas. A mais valorizadora é a última e mais recente, da União Europeia, com carácter global, isto é, a avaliar as instituições no seu todo. O IPB aparece em sétimo lugar, aparecendo à frente de oito universidades públicas estatais e de seis públicas privadas e só tendo à sua frente uma universidade públilica privada, a católica, e cinco universidades públicas estatais (Nova, Lisboa, Aveiro, Minho e Coimbra).
Porém, nada ganham os profissionais do IPB em serem bons a não ser o reconhecimento internacional. O Estado Português continua a achar que não vale a pena diferenciar funções e estatuto segundo o mérito e apenas por vontade política e de poder. Mas, assim, não vamos a lado nenhum.