Tempos de expectativa e crença

A nossa realidade de hoje é a de seres em expectativa crente face a cenários extraeuropeus conturbados, a uma Europa bastante à deriva, a um país desnecessariamente dividido e a uma sub-região à procura do seu rumo.
Extraeuropa, os EUA perderam o seu estatuto de superpotência reguladora das relações económicas, políticas e culturais à escala mundial. Procuram ser pelo menos parceiros em situação de igualdade com a Rússia e com a China mas os «puzzles» regionais onde as fontes energéticas da economia brotam estão em conflito profundo ou nas mãos dos russos sob a supervisão da China. Acresce que se a Venezuela entrar em guerra civil a situação complica-se ainda mais. O mundo necessita de regulação mas não está fácil. E, quando assim é, cada amigo vai à sua vida.
A União Europeia está em recolhimento se não em retiro. Depois das dores do alargamento a Leste, depois da negligência face à carência demográfica, a EU vê-se a braços com uma crise de refugiados e de imigrantes nunca antes vista porque constituída por gente que não tem semelhanças nem étnicas nem culturais nem religiosas com a gente europeia. Descurada a vertente da primeira globalização civilizacional, a do cristianismo, a Europa entregou-se às delícias do hedonismo e do laicismo e vê-se agora sem coesão étnica, cultural, social e religiosa que permita assimilar uma onda de valores completamente diferentes. Esperou que o capitalismo resolvesse o problema demográfico importando o exército industrial de reserva do Médio Oriente, da Ásia mais próxima e da África, bebendo o veneno dos EUA. Mas, perante o tocar de sinos a rebate na Noruega, na Suécia, na França, na Grã-Bretanha, na Holanda e na Alemanha, são necessárias novas estratégias para liderar a integração do que é diferente. Já não eram poucos os problemas económicos e financeiros, sobrevém agora um problema demográfico, um problema étnico e um problema cultural. Vamos ver como a Europa se desenvencilha disto.
Em Portugal, a lua-de-mel entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa parece estar a chegar ao fim. O Presidente percebeu que, a continuar no registo cor-de-rosa, dificilmente exerceria o papel de árbitro. Além disso, não poderia mais ostracizar o esforço da Oposição para repor algum equilíbrio político. Os clamores de Bruxelas contra algum esbanjamento e as movimentações da Igreja Católica e de alguns sectores da Sociedade Civil em torno dos cortes ao financiamento do ensino não superior cooperativo deram ao Presidente o pretexto para se recolocar ao Centro. Costa e o Governo ficam sem porto de abrigo apesar da artilharia de costa vinda do PCP e do BE.
Terminou em 29 de Maio, em Bragança, mais uma Expo-Trás-os-Montes. A abertura teve direito a visita do Ministro da Economia e presença das direcções académicas das duas instituições principais de ensino superior, a UTAD e o IPB. A sub-região, malbaratada por Miguel Relvas em três comunidades intermunicipais, procura um lugar na modernidade e faz por isso. Parabéns aos organizadores, municípios, núcleos empresariais e instituições de ensino superior, com destaque óbvio para os de Bragança.