Três notas breves

Três assuntos dominaram, a meu ver, a semana passada: 1) o incremento da chegada de migrantes e refugiados à Europa, via Mar Mediterrâneo e região a norte da Grécia; 2) o tratamento diferenciado de escolas com base na avaliação que lhes foi feita; e, 3) o incremento de contratos de associação entre Estado, via Ministério da Educação, e escolas do Ensino Particular e Cooperativo, ou seja, ensino não-estatal, agora também quase estatizado, por via desses contratos.
1)             As guerras fratricidas em diferentes países árabes (Afeganistão, Síria, Turquia, Líbano, Iraque, Iémen, Egipto, Líbia, Sudão, Nígéria, Gana) a par do excesso de população em muitos outros (Paquistão, Índia, Nigéria, China, Tailândia, Indonésia) e do envelhecimento da população europeia têm colocado os países do sul da Europa, particularmente a Itália, a Grécia, a Macedónia e a Bulgária, sob uma pressão enorme na recepção de um cada vez maior número de refugiados, de migrantes e, entre eles, calçados com sapatilhas Nike, Reebock e Adidas e vestidos de calças Jeans, muitos presumíveis combatentes do Estado Islâmico.
A Europa está assim confrontada com uma nova «invasão», outra vez de Sul para Norte, como nos anos 60, quando 10 milhões de migrantes italianos, espanhóis e portugueses a demandaram, à procura de melhores dias. A europa resistiu a tudo isso porque vivia dias de crescimento e abundância e porque estes permitiam garantir a generosidade perante os recém-chegados.
Que se passará agora se as gentes dos países europeu não se organizarem perante um problema humano, de enorme dimensão, se não estabelecerem programas de acolhimento e integração social conjuntos, a somar aos de que já necessitam para apoiar os seus desempregados? Os europeus, se não agirem coordenadamente e distinguindo problemas humanos de fomento do terrorismo, arriscam convulsões sociais tremendas, em futuro próximo.
2) A cidade de Bragança não viu nenhum dos seus três agrupamentos de escolas ser premiado com mais apoios financeiros porque, nas avaliações do Ministério da Educação, nenhum deles teve qualidade de desempenho acrescido. Ao contrário, os agrupamentos de escolas de Macedo de Cavaleiros e de Mirandela foram agraciados. Que se passa então em Bragança? O argumento de que são as escolas mais desfavorecidas socioeconomicamente a ter os piores resultados e as mais favorecidas os melhores não colhe aqui porque a população de Bragança tem, por pessoa, quase o dobro do poder de compra anual da de Macedo de Cavaleiros e mais 50% do que a população de Mirandela. Algo tem de ser então estudado para melhorar processos e resultados.
3) Ainda na área da educação, o Governo decidiu, através do Ministério da Educação, financiar mais 651 turmas a funcionar em estabelecimentos do ensino particular e cooperativo, muitas das quais em localidades onde há escolas estatais (públicas). Fará sentido apoiar estabelecimentos de ensino particular e cooperativo para fechar ou para apoucar as escolas estatais? Dizem que é em nome da liberdade de ensinar e de aprender. Pois, mas 651 vezes 80.500 euros anuais para cada 25 alunos, dá 52,4 milhões de euros. Não seria melhor cuidar da qualidade das escolas existentes?