Um pensamento…no momento!...

Não sei se é pelo facto de o tempo que se faz sentir, chuvoso e cinzento, eventualmente, poder influenciar o pensamento, se é pela falta de criativo discernimento, no momento, mas a verdade é que hoje é um dos dias em que não sei bem o que escrever. É que, enquanto algumas vezes é difícil decidir, sobre o que devemos ou não escrever, sobretudo quando temos em mente assuntos ou imagens que nos incomodam, que nos tiram o sono, ou mesmo nos confrontam com posturas cinzentas, de egoísmo e hipocrisia, outras vezes os assuntos quase se escondem de nós. Contudo, alinhavar este parágrafo já serviu de arranque para mais um habitual texto semanal. 
Como em tudo na vida, o mais importante é começar, decidir, mesmo ousadamente, desafiando até os limites da ignorância, mais ou menos frequentemente. Isto, porque, cada vez mais, nos dias e tempos que correm, ao contrário do que deveria acontecer, expor as nossas ideias e pensamentos, acaba por se tornar, algumas vezes, num risco eminente. Sim, o risco de sermos mal interpretados por gente, que revela, não só ser pouco inteligente, mas também ser detentora de uma formação global, sobretudo ao nível dos valores educativos, algo carente. E como se isso não fosse suficiente, esse défice formativo leva a não discernir, por exemplo, a diferença entre a exposição/confronto de ideias, de pontos de vista, de uma critica pessoal ou institucional. Gostava de acreditar que este tipo reações terá tendência para acabar. Porém, fico com a sensação de que há pessoas que, valorizando exageradamente o seu ego, desenvolvem automatismos de doentia auto-estima e de absorção das críticas que as leva a potenciarem a resistência à mudança no sentido de promover a interação saudavelmente positiva e de confiança.
É certo que, por mais que nos esforcemos, o ato de refletirmos, de olharmos para o mundo e para a sociedade de forma diferente, expressando publicamente o que pensamos sobre determinados assuntos ou lugares institucionais, significa que nem sempre somos simpáticos ou vamos de encontro ao que outros esperam de nós. Da minha parte percebo que não é possível agradar a todos. Aliás não gosto mesmo de agradar a todos. Gosto de ser criativamente diferente. Gosto de gente pense diferente, nomeadamente quando o seu livre pensamento traduz aprendizagem, valor formativo, cultural e educacional acrescentado. Neste contexto, estou consciente que, porque sou eu próprio, sem qualquer tipo de despersonalização, me tornarei, por vezes, incómodo, sobretudo, como recentemente escrevia Edson Athayde, para pessoas que “…estão na vida apenas para cumprir a tabela, picar o ponto, sobreviver entre os pingos da chuva…” que não se querem “…apoquentar com quase nada, nem acreditam que o conhecimento vai trazer alguma vantagem…Gente pouco curiosa, pouco ambiciosa, gente tranquila”, ao que eu acrescentaria, gente tão invejosa quanto negligentemente subserviente, sem capacidade para se comportar em função do que verdadeiramente é, e pensa, de forma coerente e inteligente.
Embora não isenta de riscos, quando não vivida e sentida, a liberdade de expressão, de opinião responsável e pedagógica, deve ser olhada e compreendida como exercício positivo de urbanidade e de crescimento, não só por parte de quem comunica, mas também de quem recebe ou percebe a mensagem, e democraticamente a discute e absorve, tendo em conta um espírito de compreensão e respeito pelo pensamento do “outro”.