Um Português de Lei

No dia 15 de Outubro de 1982 faleceu um português de lei: Santos Costa. Já passaram 32 anos.
Serviu Portugal durante vinte de dois anos na qualidade de ministro, foi um patriota que amou o seu País com Fé, inteligência e saber. Dos altos serviços prestados à Nação é dever daqueles como nós que devotamos uma vida a causa da Força Aérea, que ele criou independente, em pé de igualdade como Exército e Armada.
Era um homem simples, austero, independente "de uma só cara e uma só fé".
Três homens ao desaparecerem da cena política, fizeram grave falta à Segunda República: Duarte Pacheco, Óscar Carmona e Santos Costa.
O falecimento do Marechal Carmona em 1951, veio a quebrar o elo hierárquico definitivamente Presidente da República - Primeiro Ministro.
Santos Costa foi um homem singular de singulares contradições. Ainda modesto capitão de infantaria já o seu saber se impunha no Exército e de tal maneira a sua fama cresceu que Salazar o chamou para junto de si, onde permaneceu mais de 20 anos como subsecretário do Exército, Ministro da Guerra e finalmente Ministro da Defesa.
Foi um chefe duro e disciplinador e, ao mesmo tempo, de uma humildade agressiva.
Ao afastar-se do Governo em 1958, Santos Costa deixou que se abrissem as portas da instabilidade moral no interior das Forças Armadas.
Quando da Guerra de África, em 1961, o então tenente-coronel Gaivão de Melo, mais tarde General, ao despedir-se, na sua partida para Angola, de Santos Costa, este disse-lhe:
"Faz bem, mas está tudo perdido porque a guerra não é contra o Povo Angolano, é contra o mundo novo que não aceita o conceito colonial. A guerra vai ser longa e vai ser perdida. Mas vá, disse-lhe, "que na derrota também há honra e património".
Estas palavras definem a sua lucidez perante tão magno problema de Portugal de então.
Foi seguidor e admirador intimo de Salazar a quem definia como a "trave mestra do sistema", mas um momento em que o Serviço da Pátria o exigia não deixou de escrever a Salazar dizendo "veja se quer ficar na História como salvador de Portugal ou seu coveiro".
Finalmente, muitos por certo se recordam, da ocupação dos territórios portugueses da Índia: Goa, Damão e Diu, pelas forças militares indianas, em Dezembro de 1961.
Recordam também que o Governo de então condenou e maltratou o General Vassalo e Silva, Governador e Comandante em Chefe das Foças Armadas daquele território português; e bem assim os seus militares que, sob seu comando serviam, responsabilizando todos "pela vergonhosa derrota quase traição".
No entanto, Santos Costa estava a par das dificuldades e pouco apetrechamento dos cerca 2000 homens que faziam parte da guarnição militar do Estado da Índia, e que nada poderiam ter feito contra aviões que despejavam bombas voando a 6000 metros de altitude, e artilharia pesada, que disparava à distância de 15 Km.
Santos Costa após a rendição, foi esperar em Lisboa o General Vassalo e Silva, contrariando os críticos dos Governantes de então.
De facto em política o que parece é; Na guerra o que parece pode não ser; quase nunca é.
Ao deixar de ser ministro, e mesmo, apesar de ter terminado o curso de Oficial General com a máxima classificação, permaneceu Coronel por muito tempo, sendo já mais tarde promovido a General.
Durante a sua longa vida de servidor da Nação, resistiu a muitas vicissitudes que tentaram parti-lo, ou pelo menos dobrá-lo, só não resistiu ao chamamento de Deus; que cumpriu com a Fé e a serenidade de sempre.
Paz à sua alma
Fontes:
Revista Mais Alto
Arquivo Histórico da Força Aérea