Uma sondagem com fato demasiado largo

Na última semana, alguma comunicação social escrita publicou uma presumível sondagem segundo a qual, se as eleições se realizassem naquele momento, o PS ganharia as eleições autárquicas no Concelho de Bragança, com 41% de votos. Para um candidato que, há três meses, reunia o sentido de voto de apenas 13% dos votos, a esmola era muito grande. E, «quando a esmola é grande, o santo desconfia».
Por isso, testámos a sondagem. Fizemos centenas de telefonemas à procura de quem tivesse sido chamado a dar o seu voto mas tivemos tanto azar que não encontrámos ninguém a quem tivessem telefonado ou que soubesse de alguém a quem tivessem telefonado. Que grande azar! Em Março, encontrámos logo na rua meia dúzia de pessoas! Agora, nem uma!
Começámos a pensar que tinha andado por aí um fantasma, a instalar ships de espionagem nos lares de Bragança. Chegámos a pensar também que o Grão-Mestre da Loja Regular de Portugal tivesse reunido secretamente com os seus «irmãos». Porém, decidimos abordar o assunto de outra maneira: analisar a coerência interna dos resultados da própria sondagem. Uma tarefa bem mais possível e terráquea.A primeira questão que se colocou foi «Como é possível que, em três meses, um candidato com 13% suba para 41% e um candidato com 23% desça para 5% sem que tivesse havido qualquer incidente grave? Fomos buscar casos de subidas milagrosas, a principal das quais a de Mário Soares, em 1985. Certamente, recordam-se as pessoas de mais de 45 anos que Mário Soares partiu para a pré-campanha, em Setembro de 1985, com 8% de votos e arrancou 25% na primeira volta. Toda a imprensa comentou ao tempo que Mário Soares era um animal político. Mas só subiu de 8% para 25%.
Meirinhos não é Mário Soares e, mesmo que os eleitores estejam muito descontentes com o PSD, os votos não vão directamente para Meirinhos porque as pessoas também estão muito descontentes com os partidos, com o PS e, sobretudo, com o PS distrital de Bragança. Pretender, por isso, que o candidato independente desça tanto nas sondagens parece ser mais um ato premeditado de manipulação grave da opinião pública do que uma mudança nas intenções de voto do eleitorado.Todos os partidos têm tentado controlar a opinião publicada: a falada, a escrita, a visionada, e a falada, escrita e visionada, vulgo televisão. No fundo, continuam a achar que o eleitorado é estúpido e que tem uma cabeça moldável como o barro.
Mas o eleitorado tem demonstrado que sabe escolher bem e, numas eleições em que o Movimento Independente transporta consigo bons cientistas, técnicos e pessoas que não se revêem nos partidos e que olham para a política como cidadania, aquele Movimento confia na inteligência dos eleitores.