Armando Fernandes

 

 

O Professor e o Pavão

Não gostei, nem esqueço a forma desastrada como Passos Coelho governou o País, muitas centenas de milhares de portugueses também não, por isso mesmo Rui Rio tem a árdua tarefa de convencer os desavindos e os outros que Passos passou levando em sua companhia Maria Luís, ainda o grupo de assessores envernizados leitores de The Economist desconhecedores do País real, por isso a sua calamitosa acção.

Dos passos em frente

Não me enganei caro leitor, escrevi Dos e não quis escrever dois passos na fórmula leninista de um passo à frente, dois passos atrás, porquanto no tocante a Passos (Coelho, como escrevi várias vezes, politicamente estava inerte), sendo necessário ao PSD caso queira recuperar o poder, primacialmente tem de recuperar a confiança de pelo menos um milhão de votantes levando-os a varrerem da memória palavras e acções ditas e aplicada no decurso do governo passista e afrontosamente passadista.

Justiça

Desde o tempo de menino, aquela época da construção do Palácio da Justiça de Bragança pelos presos, sentia temor quando lá em casa o meu pai falava de tribunais mercê da sua faina e farda decorrentes do seu múnus profissional. Também, o tremor e o temor p ao de a ser encarcerado, de adoecer de modo ficar hospitalizado. O Fernando Almeida meu companheiro de Escola mostrava bom cariz embora vivesse na cadeia, só que ele ali estanciava dada a profissão do progenitor.

O pavão perdeu a pena

Tão elegante, tão cromático e tão lambido quanto um pavão indiano, assim se mostrou e falou Pedro Santana Lopes na disputa com Rui Rio pela liderança do PSD.

O guito

Desculpem os leitores ter recorrido a um calão para pronunciar dinheiro, segundo alguns a mola real (e republicana) que faz abrir todas as portas, olear todas as fechaduras, remover todas as dificuldades, comprar…quase todas as consciências. Há anos andei empenhado na justificação de um projecto relativo ao dinheiro e ao jogo, por esse motivo obriguei-me a leituras ásperas, de modo a justificar a criação do Museu.

Natal

Artistas de todas condições e credos têm na Natividade tema fecundo a gerar obras de inúmeros recortes e sentidos, seja no âmbito das artes plásticas, seja no campo das literaturas, seja ainda (e de que maneira!) no tocante à nona arte, a gastronomia.

A ilusão desiludida

Eu sabia quão nítida e riscante era a realidade, no entanto, sabia-me bem, dava-me aprazimento vogar na ilusão sempre que podia. Não era um nefelibata, era um ilusionista de um só único espectador, eu, qual suicida entusiasta (ainda não tinha lido o livro) por ganhar momentos de felicidade. Um de tais suplementos nutricionais da ânima era o de namorar sem a namorada o saber. Tal e qual!

Elegia da castanha

Eu não sei compor elegias. Sei que são composições poéticas onde prevalece o som musical da tristeza, da melancolia, onde sobressai o tom lamentoso de algo que se perdeu, que nunca mais volta.

Igualdade/Desigualdade

Há semanas uma Senhora Presidente da Comissão para a igualdade do género ofendeu-me ao exigir a retirada de um livro pintado a azul e outro a cor-de-rosa. No seu abstruso entender a diferenciação colorida ofendia a «igualdade», logo tinha de ser banido. E foi. A Porto Editora encolheu-se, grande fornecedora de manuais escolares cedeu porque a força do negócio tem muita força. Muita.

A origem da tragédia

1.Não, não vou escrever sobre a tragédia de Nietzsche, vou tecer considerações relativamente à última tragédia dos incêndios disseminada por vários sítios de Portugal, tão pequeno em área, tão grande em sofrimento porque amplas áreas florestais e núcleos populacionais no tocante à preservação e prevenção aos costumes dizem nada. As calamidades sucedem-se, acentuam-se quando os infortúnios climatérios persistem quebrando o conceito da sazonalidade.