Armando Fernandes

 

 

Lisboa? Pois!

Através da palavra e da escrita tenho manifestado veemente protesto contra as tentativas de o tema regionalização regressar à agenda política. Ao menor pedido de opinião políticos nordestinos lembram a regionalização ao modo de receita panaceia capaz de curar todos os males, revelando pouco estudo e minguada imaginação. É pena.

FINADOS

A nossa morte é uma certeza sem desfalques, sem excepções, toca a todos. Todos os povos, mesmo os primitivos não escondem o pesar ante o desaparecimento dos parentes, honrando-os através de cerimónias de vários tons e sons, assinalando o local onde foram sepultados.
Para lá dos povos primitivos todos conhecemos as diversas fórmulas empregues pelos povos evoluídos no exaltar dos parentes falecidos, as quais integravam um banquete fúnebre.

O Mundo Novo

Em 1932, Huxley publicou o romance Admirável Mundo Novo provocando uma avalanche de opiniões e comentários, colhendo louvores de todos quantos acreditam no incessante progresso técnico, arrecadando críticas dos desinteressados em mudanças porque na sua opinião um Júlio Verne dado a entusiasmar miúdos e graúdos chegava e sobrava.

O Mundo Novo

Em 1932, Huxley publicou o romance Admirável Mundo Novo provocando uma avalanche de opiniões e comentários, colhendo louvores de todos quantos acreditam no incessante progresso técnico, arrecadando críticas dos desinteressados em mudanças porque na sua opinião um Júlio Verne dado a entusiasmar miúdos e graúdos chegava e sobrava.

Bragança Municipal

Acabo de receber o Boletim Municipal relativo ao primeiro semestre do ano. Em bom papel, profusamente ilustrado, relata e revela os acontecimentos mais importantes na óptica da governação acontecidos no concelho. Propaganda pode dizer o opositor político. Pode.
Relativamente à propaganda e sua eficácia abundam tomos densos e difusos, só que no caso em apreço os factos relatados são indesmentíveis, pode-se não concordar, não se pode ignorar a sua concretização.

Nó Cego

Aqueles gritos lancinantes ainda ecoam no meu cérebro. Gritos repetidos, de sonoridades diversas, uivados até. Mulheres e homens os soltaram em dias sucessivos durante a praga dos incêndios, a recordarem outros idênticos, em anos anteriores.

Burkas invisíveis

Ela foi bonita, insinuante, batia o tacão a preceito. Encontrei-a há dias num espaço livreiro lisboeta. Sacões de surpresa no santo-e-senha do reconhecimento, ela ruiva carregada, eu detentor de farripas mal distribuídas. Canosas.
Ao redor de mesa de tapas falámos dos dois, de percursos, de afectos, do roer do tempo ainda na caixa da via. Tapeação concluída, beijinhos meneados, adiciono ao ritualizado adeus o som imaginário da canção Adeus Roma, versão Dean Martin. Ficou o dito, a continuação será ou não.

Húmus

Devo ao notável escritor Raul Brandão o favor de me ter levado ao encontro com a palavra húmus. O formidável prosador escreveu uma obra intitulada Húmus. A mesma obra num País exigente e interessado na aculturação dos seus filhos não a deixaria de fora nos programas escolares de todas as Escolas, todas, os escritores, jornalistas e os colaboradores dos órgãos de comunicação social que prezam a língua portuguesa, obrigatoriamente, da obra do reputado homem de letras, pelo menos, leem Húmus.

O licantre

Se o licantre te morder, vai ao padre que te cante. Assim o enuncia o rifão. Nunca vi nenhum, nem estou interessado em ver. Desde menino sei da sua existência por intermédio da minha Avó materna, a qual me contava contas (histórias) onde o licantre ou licranço traiçoeiro mordia sorrateiro e ao mordido só restava encomendar-se ao Padre.

Sinais de Fogo

O eclético e sofredor Jorge de Sena legou-nos um romance inacabado cujo título é o desta crónica pois os sinais de repetição da tragédia iniciada em 1936, Guerra Civil de Espanha, a prenunciar o conflito mundial, na minha visão do Mundo politico de agora e a da Europa nessa época são muito parecidos. A parecença inquieta-me.