Armando Fernandes

 

 

Ganhámos! E agora?

Acabado o prélio futebolístico os canais televisivos procuram engodar as audiências sem saírem do tema do pontapé na bola, a indústria multiplica as fórmulas de o fazer, o campeonato não tarda, as fogueiras clubísticas dispõem de grandes quantidades de lena para consumir de noite, de dia, à hora do meio-dia. Nem o império de Carlos V.

O ovo da serpente

Apesar deste tempo de descrença e desordem de costumes fiquei surpreso quando um estimado amigo, alta patente militar, possuidor de condecorações por feitos e ferimentos recebidos em combate exclamou: estamos a precisar de firmeza na Europa!

O Verão

Pediram-me um texto sobre o Verão para publicação na revista bilingue INTER. Satisfeito o pedido, fiquei insatisfeito porque julgo não ter salientado os lados menos visíveis ou dando a ver/ler o escondido nas rugas e folhos da estação calmosa.

Mons. José de Castro

Há dias encontrei num alfarrabista lisboeta o opúsculo titulado Elogio de Mons. José de Castro, dado à estampa em 1969 pela Academia Portuguesa da História. Trata-se do relato da sessão de dois de Dezembro do ano anterior, na qual o Marquês de São-Paio fez o elogio do seu antecessor na cadeira académica.

O Túnel

Antes de encetar esta crónica li alguns poemas de Fiama, poetisa maior, escorados nos seus relances pontilhados a estile sobre o extraordinário poeta do Marão, autor de Marânus, o qual devia ser lido e comentado, a sério, em todas as Escolas transmontanas. Trata-se do grande visionário Teixeira de Pascoaes, também autor do inebriante Regresso ao Paraíso. Os transmontanos são muito ciosos das suas joias, de tal forma que as escondem. Ora, Pascoaes é uma fascinante pedra preciosa.

Cantarinhas

Do emaranhado de obras dedicadas à cerâmica portuguesa destaco dois pequenos opúsculos da autoria do polígrafo e escritor de sucessos literários que mais venda tiveram nos finais do Séc. XIX e alvores do Séc. XX, Albino Forjaz de Sampaio, e outro da autoria de Carolina Michaelis de Vasconcelos. Essas duas singelas quão importantes espevitaram-me a curiosidade de procurar entender as múltiplas operacionalidades dos barros, porquanto aos signos simbólicos continuarei a estudá-los sem esperança de os entender plenamente.

A bondosa Senhora e o 25 de Abril

A bondosa Senhora é grande amiga de Ernesto Rodrigues, especialista de vários graus, latitudes e longitudes literárias, professor universitário, transmontano nascido numa terra onde uma outra Senhora chama há séculos. Nunca recebeu resposta do homem objecto da sua paixão. Será?

PASCOELA

Nos idos da meninice e adolescência a Pascoela no meu sentir e sentidos era a continuação da Páscoa, mais florida, mais garrida nas tonalidades, embora no referente à aldeia dos prodígios, Lagarelhos para o leitor desprevenido tomar nota, as pascoelas e as violetas ganhassem em número no bordar as bordas dos caminhos.

Folar simples

A receita dactilografada em papel timbrado – Escola Comercial Azevedo e Silva, Lourenço Marques – chegou-me na companhia de outras, amável oferta de senhora transmontana, orgulhosa de o ser.
Lá, na sedutora cidade hoje Maputo, nunca por nunca se esquecia de celebrar a Páscoa. A falta de alguns produtos levou-a a conceber uma receita desprovida de arroubos cárnicos tão gostosos como raros ao tempo em Moçambique.

Esperança

Esperança é uma das três virtudes teologais, tão bem descrita pelo tão esquecido, como fecundo e fundamental prosador Padre Manuel Bernardes.