Armando Fernandes

 

 

A Ratoeira

Apetece-me escrever e escrevo: os resultados eleitorais de domingo podem transformar-se numa ratoeira mortal para Passos Coelho. Apetece-me escrever e escrevo: a derrota de António Costa, a médio prazo pode-lhe render pingues lucros, reduzindo a cinzas a tenaz que está a ser construída pelos adversários, unindo socráticos e seguristas. Apetece-me escrever e escrevo: o Presidente Marcelo marcará novas eleições legislativas no início do próximo Verão, época calmosa propícia a mergulhos escalafriantes.

Solidariedade II

Inserida na Igreja de Santa Clara labora a Associação Entre-Famílias. A ausência de Bragança da sua principal responsável (presumo) impediu-me de obter informações e dados consistentes acerca das suas actividades, apesar da simpatia e esforços nesse sentido da jovem que me atendeu. Mas através de duas Senhoras que da Instituição recebem apoio espiritual e material ser relevante a sua acção. Os comoventes elogios à Associação e à Dra.

Solidariedade

Não, não vou evocar a efeméride comemorada há dias. Se respeitável a lembrança do dia da solidariedade, formidável é assumpção da prática diária, tantas vezes semeada de abrolhos e silvados pontudos. Por razões de pesquisa em fontes orais, visitei algumas Instituições de Solidariedade Social sedeadas em Bragança e periferia.

Rentes de Carvalho

Mercê do talento de Francisco José Viegas o escritor Rentes de Carvalho logrou nos últimos tempos maior reconhecimento e consequentemente valimento. Pode-se objectar a este entendimento o facto do autor ser dono de obra extensa, ter jornadeado em várias paragens do Mundo onde jornaldeou e escreveu em diversas revistas, além de ter ensinado literatura portuguesa na Holanda.

A SENHORA

Apesar da atrofia provocada pela viva vivência noutras paragens, acrescida das convulsões teleológicas de continuada formação da finalidade dos objectivos, no rol das afinidades electivas referentes a Bragança, a Senhora – das Graças – no altar dos afectos, está no centro. No registo da meninice, o Senhor São Pedro de Lagarelhos ocupa lugar semelhante.

Gaiteiros

Sempre que oiço uma caixa, clarinete, um tambor e uma gaita-de-foles, a memória, simpática, solta-me sons e imagens das festas de Verão, realizadas no paraíso de Vinhais. Festas pimponas. E não é opinião entroncada no saudosismo serôdio do antigamente é que era bom. Sim no saudosismo dos dias felizes, luminosos, do folgar e bailar. Para a maioria, fagueira interrupção na cansativa e quotidiana procura de sustento, sustentado como ora se diz, em época marcada pela insustentabilidade de um viver no fio da navalha da precisão.

Convergências

Há duas semanas o estridente Victor Bandarra (conheço-o via Rogério Rodrigues, transmontano, poeta, exímio repórter, amigo meu desde os idos de setenta) apresentou ao som de charamelas e oboés reportagem centrada em Mogadouro, cujo miolo era a convergência de religiões. Afinei o ouvido, limpei os óculos, ouvi e vi. Descontada a ganga palavrosa, chamar comunidades a meia dúzia de pessoas vindas de longe é gordo exagero, retive a envolvência simpática de todos, a lhaneza do católico e o escrúpulo do hindu na observância do interdito.

Convergências

Há duas semanas o estridente Victor Bandarra (conheço-o via Rogério Rodrigues, transmontano, poeta, exímio repórter, amigo meu desde os idos de setenta) apresentou ao som de charamelas e oboés reportagem centrada em Mogadouro, cujo miolo era a convergência de religiões. Afinei o ouvido, limpei os óculos, ouvi e vi. Descontada a ganga palavrosa, chamar comunidades a meia dúzia de pessoas vindas de longe é gordo exagero, retive a envolvência simpática de todos, a lhaneza do católico e o escrúpulo do hindu na observância do interdito.

Um tostãozinho prá cascata

Dos festejos em honra de Santo António, São João e São Pedro guardo na memória a desvelada, entusiasmada e amorosa construção de cascatas a fazerem lembrar os Presépios. No referente à hierofania a essência é diferente, provém dos cultos solares, expressa no solstício de Verão, dia 21 de Junho, no entanto, a celebração decorre debaixo dos auspícios de S. João Evangelista, gastando a noite do dia 23 e o dia 24.

A Pátria

A Pátria não se discute proclamava a propaganda salazarista. Discutir discutia-se, nem que fosse em surdina sussurrada. Não é redundância, era assim. Para lá das diferenças de opinião, Amar a Pátria estava (agora está?) fora de qualquer sombra de dúvida. Frequentei a guerra colonial em Cabinda, na mala pessoal e saco verde de campanha, trouxe, apenas, cópia de um louvor, somado ao sentimento de dever cumprido. Não censuro os fugitivos ao serviço militar, relativamente aos vociferantes contra a Portugalidade, nutro asco.