Edite Estrela

UM ORÇAMENTO RESPONSÁVEL

“Concordamos com a avaliação da Comissão de que existe risco de não cumprimento com as recomendações do Procedimento de Défices Excessivos. Tomamos nota que, de acordo com a avaliação da CE o défice será de 3,3% do PIB. Nesse sentido, serão necessárias medidas adicionais para que o défice melhore e cumpra as regras do Pacto de Estabilidade. É positivo que Portugal se comprometa a implementar as medidas necessárias para garantir que o défice excessivo é corrigido”. Este é o parecer do Eurogrupo sobre o Orçamento do Estado português de 2015. Leu bem, 2015.

LUCROS PRIVADOS E DÍVIDAS PÚBLICAS

O fim de 2015 e o princípio de 2016 trouxeram sérias razões de preocupação e desassossego. Ainda não tínhamos começado a saborear as rabanadas, fomos surpreendidos com a implosão do BANIF, com gravosas consequências para os contribuintes. Na Europa, o drama dos refugiados está longe de uma solução e os desenvolvimentos recentes geram motivos de grande intranquilidade. Os primeiros dias do ano novo demonstraram que é sempre possível surgirem novos focos de tensão no Médio Oriente.

HAJA MEMÓRIA

Empobrecimento, desemprego, surto de emigração comparável aos anos 60, cortes cegos no Estado Social, o segundo pior défice e a terceira maior dívida de toda a União Europeia é, de acordo com o Eurostat, o resultado de quatro anos de governação PSD/CDS. O relatório annual da OCDE sobre a qualidade de vida nos países desenvolvidos refere que os portugueses têm menos qualidade de vida, ganham menos, trabalham mais tempo e correm maior risco de despedimento.

TER SENTIDO DE ESTADO

Os resultados eleitorais já fizeram correr muita tinta. Com análises e equações para todos os gostos. Há, no entanto, algumas conclusões óbvias. A abstenção, ao contrário do que se chegou a anunciar, subiu. A esmagadora maioria dos portugueses votou contra a austeridade. A coligação PSD/CDS ganhou, perdendo votos e mandatos. Obteve menos votos que o PSD sozinho na anterior legislatura. Pior resultado para os dois partidos juntos, só em 2005, quando o PS conquistou a sua primeira maioria absoluta. O PS perdeu, ganhando mais votos e deputados.

TEMPO DE CONFIANÇA

 
Em todas as funções públicas que desempenhou – ministro de várias pastas, parlamentar, eurodeputado, autarca – António Costa deixou a indelével marca da qualidade. Uma marca baseada na inovação, na competência e na coragem para bem-fazer em prol do interesse coletivo. As suas grandes capacidades são publicamente reconhecidas e respeitadas. É um líder com carisma e prestígio internacional que inspira confiança.
 

MEMÓRIA CURTA

 
É vox populi que “as pessoas têm memória curta”. O antídoto para este mal é lembrar, chamar a atenção, repetir, as vezes necessárias, aquilo que é importante. Há quem tenha falhas de memória e, reconhecendo-o, recorra a estratégias simples para evitar esquecer o que realmente importa, seja da vida pessoal seja da vida coletiva. Mas há também quem, intencionalmente, se esforce por esquecer (e fazer esquecer) o que não lhe agrada.

Dar o dito por não dito

Pedro Passos Coelho diz que não aconselhou ninguém a emigrar. E do alto da sua autoridade ministerial lançou o desafio: ora provem lá o contrário. E provaram. Bem pode o primeiro-ministro dar o dito por não dito e desdobrar-se em subterfúgios que não conseguirá apagar o registo audiovisual das palavras, da entoação e da sua fisionomia. Aconselhou ele e aconselharam outros membros do governo, o que leva a crer que não foi apelo fortuito ou mero impulso, mas sim orientação governamental.

MEMÓRIA CURTA

É vox populi que “as pessoas têm memória curta”. O antídoto para este mal é lembrar, chamar a atenção, repetir, as vezes necessárias, aquilo que é importante. Há quem tenha falhas de memória e, reconhecendo-o, recorra a estratégias simples para evitar esquecer o que realmente importa, seja da vida pessoal seja da vida coletiva. Mas há também quem, intencionalmente, se esforce por esquecer (e fazer esquecer) o que não lhe agrada.

Cofres cheios com bolsos vazios

A ministra das Finanças, muito ufana, veio anunciar urbi et orbi que tem os cofres cheios. Afirmação completamente disparatada e que revela uma enorme insensibilidade social. Em primeiro lugar, os cofres estão cheios de dinheiro emprestado que custa caro aos contribuintes. Em segundo lugar, os portugueses foram esbulhados das mais diversas formas pelo governo e ficaram de bolsos vazios. Em terceiro lugar, os cofres estão cheios e o governo reduz o investimento público, verdadeiro motor do investimento privado, sem o que não haverá crescimento económico.

UM MUNDO ESTÉRIL

 “Um mundo em que as mulheres são marginalizadas é um mundo estéril”, afirmou o Papa Francisco no passado domingo, Dia Internacional da Mulher. Ora, as estatísticas confirmam que assim vai o mundo, uma vez que as mulheres continuam a ser diariamente discriminadas no seio da família, na escola, no local de trabalho, na Igreja e na sociedade em geral. E persistem os preconceitos, os estereótipos e o glass ceiling que as impedem de aceder aos cargos mais prestigiados socialmente e mais bem remunerados, não obstante possuírem elevados graus académicos e experiência profissional.