Edite Estrela

Troika, Governo e Mercados

O Parlamento Europeu (PE), decidiu realizar um “relatório de investigação sobre o papel e as operações da troica (BCE, Comissão e FMI) relativamente aos países do programa da zona euro”, isto é, nos quatro países sujeitos a programas de ajustamento: Grécia, Irlanda, Portugal e Chipre. A Comissão responsável é a do Emprego e dos Assuntos Sociais e o relator é o socialista espanhol Alejandro Cercas.

ACABEM COM A AUSTERIDADE

O programa de ajustamento executado pelo governo e superintendido pelo troika termina em maio de 2014. Por coincidência, mais ou menos na mesma altura em que se realizam as eleições para o Parlamento Europeu (e que, na minha opinião, deviam coincidir com eleições legislativas).

Você decide

O PS realizou uma vez mais a Universidade de Verão na histórica cidade de Évora, desta feita, subordinada ao mote “Novo rumo para Portugal”. Tendo em conta a proximidade das eleições autárquicas, os participantes, nacionais e estrangeiros, debateram o futuro das cidades e o papel do poder local no seu desenvolvimento sustentável. Falar das cidades é falar da vida das pessoas. No sentido etimológico e mais restritivo do termo, cidadão é o que vive na cidade.

O clima já não é o que era

Mesmo os mais céticos se rendem à evidência: o clima já não é o que era. Dantes, sabia-se que havia calor no verão e frio no inverno. Que as temperaturas eram mais amenas na primavera que no outono. Havia certezas e poucas exceções. As variações climáticas ao longo de cada estação do ano raramente eram dignas de registo. Os agricultores podiam programar as sementeiras e as colheitas com alguma segurança. No verão, podia haver umas noites mais frescas a recomendar um casaquinho, mas as amplitudes térmicas não impressionavam.

As trapalhadas de Passos e Portas

A carta de demissão de Vítor Gaspar provocou um terramoto no governo e abalou os defensores da política de austeridade. Quem alguma vez imaginou ver o principal defensor das virtudes da austeridade e seu entusiasta praticante ao longo de dois anos reconhecer que falhou em toda a linha? Embora ele não o tenha dito, está implícito que, por causa da incompetência e teimosia dele e do primeiro-ministro, Portugal vai ter de pedir um segundo resgate, o que significa que os sacrifícios que fizemos foram inúteis.

Mais tempo e menos juros

O folhetim tem vários episódios e distintas personagens, nacionais e estrangeiras. A direção de atores é da responsabilidade do ministro das Finanças alemão. A história começa quando, na reunião do Eurogrupo de 26 de novembro passado, foi decidido conceder condições mais flexíveis à Grécia para cumprir o programa de ajustamento. O acordo entre a Zona Euro e o FMI prevê: 1. descida de 100 pontos base da taxa de juro cobrada nos empréstimos concedidos bilateralmente; 2. extensão de 15 anos das maturidades dos empréstimos; 3.

Solidariedade entre Gerações

O envelhecimento da população é um dos maiores desafios do século XXI. Em todo o mundo, em cada dois segundos, duas pessoas celebram o seu sexagésimo aniversário, o que perfaz um total de 58 milhões de pessoas por ano. A nível mundial, uma em cada nove pessoas tem mais de 60 anos e prevê-se que, em 2050, este rácio seja de uma em cada cinco. A Europa é o continente mais envelhecido. Na União Europeia há mais de 87 milhões de pessoas com mais de 65 anos, o que corresponde a mais de 17% da população. 

O DOENTE ESTÁ A MORRER DA CURA

A situação é grave e não se vê luz ao fundo do túnel. Nunca os portugueses fizeram tantos sacrifícios e tiveram tantas razões para recear o futuro. Há não muito tempo, o governo disse-nos que este ano seria a última etapa do calvário e que, a partir daqui, entraríamos na curva ascendente para uma vida melhor. Afinal, 2013 vai ser muito pior que 2012 e, muito provavelmente, 2014 pior que 2013.