Henrique Ferreira

Professor

Notas Soltas

Rio Fervença imundo, às vezes. Recentemente, no início de uma bela tarde de sol, propus-me fruir os encantos das obras do Pólis, entre o Jardim António José de Almeida e a Flor da Ponte, em Bragança. Mal cheguei, perdi o encanto todo porque o Fervença estava imundo mais parecendo que tinham descarregado nele toda a imundície de Bragança. Já por lá andei outras vezes e o local, apesar das suas limitações, até é agradável. Por que é que isto acontece de vez em quando? É preciso resolvê-lo, seja qual for a causa. É urgente!

Muita conversa, poucas soluções

Os assuntos dominantes nos últimos tempos têm sido a recuperação da economia, a crise demográfica e a crise do financiamento da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações. Curiosamente, o emprego para os jovens continua a ser esquecido e, como veremos, ele deveria ser o principal objecto de preocupações de longo prazo porque, sem esse emprego, não haverá Estado Social. Percorramos um pouco estes quatro tópicos.

Imagens da família: semente, refúgio e saudade

Comemorou-se no passado fim de semana mais um dia da família. Ao menos, a comemoração do seu dia relembra-nos a existência da célula social que está na origem e no desenvolvimento do ser humano, tanto do ponto de vista biológico como do ponto de vista económico como ainda dos pontos de vista social e cultural.

A ilusão da liberdade

Em Portugal, o dia 25 de Abril tem, desde 1974, e para pelo menos dois terços dos portugueses e das portuguesas, um significado especial: é o dia em que recuperámos a liberdade. Que palavra é essa que, afinal, tanto é usada em sociedades autoritárias como em sociedades democráticas? É uma palavra metafórica, que pode ser ressemantizada, isto é, ter outros significados, conforme os contextos, conforme a história das pessoas e das sociedades e conforme a vontade e consciência de quem a usa? Claro que sim.

Tão bons mas tão maltratados!

Apesar de ter vindo sempre a melhorar; apesar de muitas avaliações institucionais externas das nossas instituições de ensino superior (IES) colocarem dois institutos politécnicos portugueses (IP), um deles o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), acima de dois terços das universidades portuguesas (UP), os IP ainda continuam a ser vistos pelas nossos dirigentes políticos (DP) e população em geral (PG) como instituições de segunda e os professores dos politécnicos (PP) veem direitos fundamentais ser-lhes negados, tanto pelo Estado como pelos colegas das universidades.

O brilho da democracia e as trevas da natureza humana

 
Manifesto a minha profunda alegria por conhecer os males que nos têm afectado nos últimos tempos, mesmo que esses males expressem todos os horrores que a natureza humana pode gerar.

Amadeu Ferreira: valores que não morrem

Amadeu Ferreira faleceu, aos 62 anos, no dia 28 de Fevereiro,vítima de um cancro no cérebro que o fez sofrer imenso durante mais de um ano. Mas Amadeu só morreu fisicamente. Foi um exemplo para o país e para a sua região e terra natais. Obrigado, Amadeu.

A requalificação desqualificante

Serena viu o seu nome nas listas publicadas pelo Instituto da Segurança Social, na semana passada, anunciando as últimas das 630 pessoas que vão para a «Requalificação». Ainda lhe tremem as pernas. Única dos dois cônjuges com vencimento e dois filhos a estudar, Serena, de 42 anos e Educadora de Infância da Segurança Social, ainda não consegue olhar para o futuro. Ouve dizer que tem de emigrar mas ainda não sabe nem para onde nem como. Sabe é que o dinheiro não vai chegar para sustentar a família.

A beleza de Ana e a calçada do Castelo

Estava uma tarde de sol primaveril. Ana (nome fictício) resolveu homenagear a Primavera vestindo-se de roupas elegantes e curtas expondo o seu corpo harmoniosamente torneado aos olhares que a natureza dotou de energia para perpetuar a vida. Ana passava e os olhos dos possíveis faunos seguiam-na, divididos entre a contemplação estética e a força de Eros e de Vénus, enquanto outras deusas da feminilidade revelavam olhares de ciúme face ao esplendor de Ana.

Deus, Liberdade e violência

Muitas são já, em todo o mundo, as análises aos atentados contra os jornalistas do jornal satírico Charlie Hebdo e contra o proprietário (judeu) de um supermercado, em França, no passado dia 7 de Janeiro.