José Mário Leite

O valor do voto

É tempo de rescaldo. Da vitória de quem não ganhou e da derrota de quem não perdeu. Porque para lá dos valores frios e inapeláveis dos números há sempre e inevitavelmente a interpretação dos mesmos. E se os números não podem ser alterados já o significado e, sobretudo, as consequências têm várias e diversas leituras. Mesmo que baseadas nos mesmos e inabaláveis valores.

O milagre Paradoxal

 
Milagre é uma ação ou facto que a ciência não consegue explicar e que por isso se atribui a influência ou ação divina. Estando pois nos antípodas, sendo aliás a incapacidade de o enquadrar nas leis e regras da ciência que constituem a essência de qualquer milagre é da sua natureza que em ciência não haja milagres. E, contudo, paradoxalmente, em Portugal, parece não ser assim!

Legenda para a Pobreza

Um ex-autarca faz gala de dizer, afirmar, insistir e repetir que saiu da autarquia mais pobre que entrou.
 
Já o tinha dito em sessão da Assembleia Municipal, tinha-o repetido na última campanha autárquica e continua a declará-lo sempre que tal se proporciona. Esta afirmação, só por si, é grave (como a seguir vou demonstrar) e carece de devida justificação ou explicação. A menos que haja algum objetivo escondido que não consigo alcançar.

As Finanças e a maternidade

Correm rumores que ao nordeste serão amputadas 70% das repartições de finanças e 100% das maternidades existentes. Os autarcas, representantes próximos e diretos dos cidadãos estão a manifestar a sua oposição e repúdio de forma unânime independentemente da filiação partidária. Infelizmente não são decisões que estejam nas suas mãos. A decisão passando pelo Governo passa igualmente pela maioria que o apoia. Onde também há representantes do distrito de Bragança! Mas aqui a unanimidade nem chega a ser miragem. Não existe!

Quarenta Anos

 
Em 1974 tinha eu por residência um pequeno quarto num primeiro andar, pertença da Pensão Restaurante Machado Cura, na confluência da Rua 5 de Outubro e a Avenida João da Cruz, mesmo em frente aos Correios, em Bragança.
No dia 25 de Abril acordei à hora habitual e fui até à rua Almirante Reis para tomar o pequeno almoço, como sempre fazia. O João, um dos irmãos Vitorino, que tinham um quarto duplo no mesmo andar, foi comigo. O outro preferiu ficar a dormir mais um pouco, tal como fazia o Zé Dias de Macedo que estava no quarto contíguo ao meu.

Europa

A verdade é como o azeite. Por isso se temos um copo com água e com azeite de nada adianta tentar misturá-los, agitando-os, quando o esforço misturador cessar eles ali ficarão, separados, a água em baixo, o azeite em cima. Por isso melhor é deixar as coisas como estão. Ao ver a verdade, reconhecê-la e admiti-la. Ora no que respeita à Europa, a verdade é uma e não há como tentar ocultá-la: a lista do partido socialista para o Parlamento Europeu é boa! Melhor, garantidamente, que a da coligação PSD/CDS.

Domus Brigantiae

 
Não é facil ler o Ernesto José Rodrigues! O narrador é um camaleão metamorfótico que vai variando ao longo da trama que desafia constantemente o leitor a rever, a reler, a focar-se e interrogar-se sobre o fio da história que o autor nos conta. É assim no Romance do Gramático. É difícil mas igualmente desafiante.

O Poder e o Local (Quem me dera estar errado!)

Albano Teixeira Mesquita, ex-presidente da Assembleia Municipal de Vila Flor e, nessa condição, presidente cessante da Assembleia Distrital de Bragança(ADB) não escondia a sua indignação perante a possibilidade de, pela segunda vez, não poder estabelecer este órgão para o próximo quadriénio. Por uma razão simples: mais uma vez não havia quorum! Segundo Albano Mesquita, esse facto esconde uma realidade: o poder local não é respeitado porque não se dá ao respeito!

Raízes

Esta crónica nasceu em Bragança, no auditório Adriano Moreira. Deveria ter sido enviada para publicação na semana passada. Tal não aconteceu porque, propositadamente, quis resistir à tentação de cair no facilistismo e no coro de lamúrias que, infelizmente, os tempos que correm, justamente, patrocinam. Quis refletir durante uma semana e, sobretudo, ir ao cinema ver o “The Monuments Men – Os Caçadores de Tesouros”. Ainda bem que o fiz. Não, não posso concordar nem de perto nem de longe, que qualquer obra de arte possa justificar a vida de um ser humano.

Falta de respeito!

Como quer ser respeitado, quem não se dá ao respeito?
 
Os Presidentes de Câmara são-no porque foram eleitos e para o serem tiveram de se candidatar num ato voluntário e consciente com que se apresentaram perante os eleitores garantindo-lhes que assumiriam todos os compromissos que a mesma eleição implicava! Sem exceções! Sem excluir pois a representação na Assembleia Distrital a que ficaram imediatamente a pertencer. Onde, é verdade, se podem fazer representar, mas não na primeira, a da tomada de posse!