Ricardo Mota

Vacas Sagradas…

Daqui, numa manhã enevoada em Trás-os-Montes, perante um verde viçoso e pujante que inebria, aconchegado no lar, vislumbrando através de janela solarenga, contemplo o que a natureza me oferece neste dia de Natal. Estar vivo é uma bênção, gozar o ambiente é sublimação.

Maldito Fosso

 
Sem dúvida alguma que o 25 de Abril avança coxo, com fragilidade no caminhar. Vai longe o sonho, a minha Universidade no querido Porto, lá no topo da Cordoaria, mesmo ao lado dos Clérigos, foi testemunha, escondeu-nos muitas vezes dos atropelos, das investidas, da irracionalidade dum regime moribundo.

A Grande Trapaça…

 
De sempre, o embuste existe. Enganar, ludibriar, passar a perna, comercializar, foi e é sinónimo de esperteza, de deixar para trás alguém, levar avanço.
Num frente a frente perde o escorreito, o bem formado, o moralmente inatacável, o vertical. Lá, na época dos tombos, do cai e levanta, da lágrima e do choro, das birras, na infância dos nossos tempos, há que preparar os meninos para o que aí virá. Hoje não é fácil ser gente.

Clã dos Monopólios e Corporações….

Fomos habituados, há muito que disso se fala, do efeito económico nefasto provocado por um monopólio. Um serviço ou um bem, singular, é vendido por uma única empresa ou grupo económico. Sabe-se que qualquer Estado, em época excepcional, pode decretar um monopólio, como exemplo o combustível em tempos de guerra. De criança, jogo das infâncias e do imaginário, muito dinheiro ganhamos na compra e venda, cimentando amizades e unindo famílias.

A Justiça será Julgada…

É sabido que detesto o Sócrates. Nunca lhe perdoei o ter-se metido, ele e seu triste Governo, com as Corporações. Maria de Lurdes Rodrigues foi, quanto a mim, talvez a mais esdrúxula Ministra da Educação de que há memória pois não lembra ao diabo a perseguição feita aos esgotados professores deste País. Correia de Campos, esse avaro, acantonou os médicos no público deixando o privado sem meios técnicos qualificados. Teixeira dos Santos, distinguido como altamente incompetente, acabou medalhado pela direita por não ter verbas para ordenados.

Deixem entrar o futuro…

As saudades eram muitas. A vida atira-nos para outros trilhos, os afazeres estabelecem prioridades, os tempos são finitos apesar de eternos. E foi agora, no pino de um Agosto abrasador, que os astros se juntaram mexendo no quotidiano, o consenso deu à costa, o destino ajudou e a família lançou-se à estrada. Lá longe, na quina direita do Portugal que somos, a nova albufeira transmontana punha-se a jeito para o desfrute.  

O Ódio e A Besta…

De criança, em ambiente cristão-católico, todos aprendemos a frase “dar a outra face”. Nas missas frequentadas por rotina, na peugada dos mais velhos, a ouvir sermões de bem-fazer, de posturas correctas, de ensinamentos bíblicos, de leituras do Testamento Apostólico, éramos levados, perante o magoar de outrem, de uma bofetada, dever de sorrir, dever de abraçar, tolerar.

Obrigado nós…

Desde sempre, desde os inícios da Humanidade, a força do grupo fez vingar a espécie e, a partir daí, as rivalidades agigantaram-se. A união, de iguais, de seitas, de clubes, de tribos, de partidos, da Família, das religiões, todos os ajuntamentos servem a socialização, dão alma. A Família é, por excelência, o grupo mais confortável pois que, não existindo ou mal estruturada, desequilibra, angustia.

Na Hora…

Dizem que o tempo é como a água, não volta atrás, não passa duas vezes por debaixo da mesma ponte. A mente, esse prodígio, permite o impossível, fixa e, a pedido, regressa a datas que já lá vão. As recordações, bem registadas, são de alegrias extasiantes ou de tristezas sufocantes e basta rebobinar, destrancar o filme, fechar os olhos, e eis a tela do passado em todo o esplendor.

O Deserto dos Carmelitas

Todos tivemos um momento em que o silêncio se transformou em amigo e em que, mais um ser, seria estorvo. A vida, em que muitas vezes desejamos ter sido outra, fez-nos gente sem tempo disponível no parar, no olhar para dentro. O sufoco pela sobrevivência, pelo caminhar de cabeça levantada entre os outros, entre iguais diferentes, exige esforço desmedido e sem limites, evoluímos sem amparos, no fio do stress. Mas é no apetecer da desistência que pulamos, seguimos em frente.