Ricardo Mota

Catrogas...

Os ideais norteadores do posicionamento cívico perseguem-me desde sempre, mantêm-se inalterados desde o assumir da consciência. O enquadramento em determinado movimento político, sem filiação, colou-me, em dois grupos económicos distintos, etiqueta de reaccionário e comunista. De sempre, desde o vinte e cinco de Abril, o PS, da esquerda democrática, carrega esta cruz.
Um dos objectivos da Revolução dos Cravos, o da Igualdade, se conseguido, mesmo que por aproximação, engrandeceria Portugal e levaria para lá das águas os Heróis do Mar que tanto nos orgulhamos de ser.

Absurdo...

A cada passo e pela recorrência, dou comigo a matutar no porquê da coisa. Assisto, Portugal inteiro assiste, em frequência desgastante, à ira da classe docente contra tudo e contra todos.
Pela constância anual o Concurso dos Professores faz encher as ruas de protestos ruidosos, impulsiona debates ensurdecedores, amortece a alegria estudantil, desmoraliza os pais e desgasta, no geral, as gentes.

Haja decoro….

Estão perdidas nos tempos. As memórias do meu vinte e cinco de Abril esfumam-se no labirinto do inconsciente pois teimam, por vergonha, a não quererem enfrentar a realidade.
 
Lá, nos tenros vinte e três anos, ganhei novo fôlego, cresci para o mundo, enfrentei os ventos do contra e deixei-me levar pelas frescas aragens da mudança. Acreditei no nascimento de um novo mundo onde todos, novos e velhos, de mãos dadas, viveriam inebriados entre os seios fraternos da igualdade e da liberdade.