Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Qui, 2016-09-22 15:18

Afinal, isto está tudo ligado

Texto

Esta não é uma daquelas teorias da conspiração que defendem tudo e o seu contrário. Mas a verdade é que basta juntar os pontos pois isto está tudo ligado.
Pode começar nas páginas aqui ao lado e no fenómeno de desaparecimento de idosos numa região cada vez mais envelhecida.
Como a Glória Lopes escreve, numa reportagem a ler e reler, foram 16 nos últimos três anos e meio, segundo dados da GNR. Não são casos de subtração por forças alienígenas mas convém ter uma atenção cada vez mais redobrada para estes acontecimentos, que são o resultado do envelhecimento de uma região.
Com o envelhecimento cada vez mais acentuado e o aumento da longevidade, surgem aquilo a que se vai chamando demências mas que, muitas vezes, são apenas estados de confusão resultado da idade e que descambam em tragédias.
Mas esta é apenas um dos muitos rostos deste fenómeno que, nós por cá, vemos a cada dia que passa e sentimos na pele. Continue para outro ponto, por exemplo, na página 13.
Se a (pouca) idade é um mal que se cura todos os dias, todos os dias se está mais perto de morrer dessa cura.
E as Unidades de Cuidados Continuados, de que a nossa região foi pioneira nacional, como as de Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor, são uma necessidade plasmada na procura que excede, em muito, a oferta. Mas não tem de ser assim. Dá-se o caso de até termos mais 20 camas prontinhas a receber utentes (não clientes), pessoas que precisam de assistência que não encontram de outra forma. A Santa Casa da Misericórdia de Bragança tem-nas assim há dois anos, à espera que um Governo (este ou outro, tanto faz) se decida, como se decidiu anteriormente a aprovar o projeto com 60 camas, contratualizando depois apenas 40.
Em Mirandela, idem, para outras 13. Vinhais tem há sete anos umas instalações prontas a funcionar. Não tem ainda equipamento nem pessoal mas também ainda não tem camas atribuídas. E as pessoas à espera, em necessidade.
Necessidades têm também as Infraestruturas de Portugal, aparentemente sem dinheiro para mandar limpar as estradas que tutela mas com aparente falta de vergonha para sacar mais uns euros à malta. Pode perceber como na página 13. E daí passar uma vista de olhos pela ética nas contas que os contabilistas querem impor. Muitos deles vão estar cá reunidos, nos próximos dois dias, no IPB.    
Afinal, isto está mesmo tudo ligado.