Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Sex, 2018-01-19 12:01

A banalização da mentira ameaça corroer as nossas instituições

Texto

Tempos houve em que  a mínima suspeita de uma mentira levava à demissão imediata do titular de qualquer cargo público (não necessariamente político).
Mas, nos tempos que correm não só essa prática da ética e da moral caiu em desuso como as mentiras são cada vez mais frequentes e, pior, banalizadas.

Há quem diga que o segredo é a alma do negócio o que, muitas vezes, serve de desculpa para a tal mentira que se usou para não se perder a vantagem. Mas uma coisa é o secretismo, outra é a mentira.
Jesus também falou algumas vezes sobre a mentira. Em João 14:6, Ele se descreve como “o caminho, a verdade e a vida”.

Hoje em dia, não é raro ver um qualquer presidente de um país, um presidente de um clube ou um dirigente partidário negarem o que é mais do que evidente e sabido, com quantos dentes têm na boca, e sem perder a compostura.
Veja-se o exemplo do novo embaixador americano na Holanda, Pete Hoekstra, o mesmo que, há uns meses, não se cansou de dizer que aquele país estava assolado de terroristas, que inclusivamente queimavam políticos na rua.

De acordo com o relato do DN, confrontado com essas declarações, disse que era mentira e que se tratava de “fake news” (notícias falsas), a frase que se tornou um chavão da administração Trump. Só que, em seguida, o republicano foi confrontado com um vídeo com as suas próprias palavras e obrigado a recuar. O embaixador optou então por dizer que não tinha falado em notícias falsas momentos antes.

Na primeira conferência de imprensa na Holanda, já nas novas funções, obviamente que foi confrontado pelos jornalistas locais com aquilo que tinha dito meses antes. A resposta foi o silêncio, mesmo quando instado a que se retratasse.

Este é apenas um exemplo da banalização em que o uso da mentira está a cair. E não se pense que se trata de um mal exclusivo da administração Trump. Por cá não faltam exemplos, da Direita à Esquerda, em Lisboa ou aqui mesmo, no Nordeste Transmontano.

Uma chaga da sociedade que não vai sarar enquanto este comportamento for permitido, sem ser denunciado, e os seus responsáveis confrontados. Sob pena de o cenário extremo traçado por Pete Horkstra se vir a confirmar, mais dia menos dia.
Até lá, é a sociedade que se descredibiliza.