Como se ajuda quem não quer ser ajudado?

Já em dezembro aqui foi abordada uma questão que deve fazer refletir a sociedade como um todo. O envelhecimento da população é uma fatalidade que, acompanhada da emigração, que nos últimos anos tem atingido com a força de um murro no estômago principalmente o interior do país, fez crescer um fenómeno que nos deve preocupar a todos.
Os idosos que, vendo partir a família em busca de melhores condições, ficam sozinhos e quase sem apoio, e os excluídos da sociedade.
Por todo o distrito têm crescido as respostas sociais, que dão uma boa cobertura a grande parte das situações de carência. Seja com os lares, que acolhem os casos de menor mobilidade, seja com as respostas de apoio domiciliário ou centro de dia, para os mais ativos.
O problema que ultimamente tem vindo mais a lume prende-se com os casos de pessoas que se auto-excluem. Que recusam abandonar o seu espaço para ingressar numa instituição.
A questão é: o que fazer perante essas situações?
Para já, as soluções são poucas. Por se tratar de uma questão de privação de liberdade, a Segurança Social não pode obrigar ninguém a um internamento compulsivo. Só o Ministério Público tem poder legal para o fazer.
Mas antes de se chegar a esse extremo, não nos cabe a nós, sociedade enquanto um todo, olharmos pelos nossos pares?
É preciso que todos nos debrucemos sobre este tema o quanto antes, sob pena de os casos se alastrarem como um rastilho.  
De acordo com os números de um levantamento feito pela Segurança Social, há 14 sem abrigo no distrito. Para além destes casos, há muitos mais que a GNR vem acompanhando há anos de idosos que vivem isolados e com pouco apoio. E como se viu recentemente, às vezes nem o facto de se morar junto a outros vizinhos é garantia de ajuda.