Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Sex, 2016-12-16 10:54

A justiça da memória

Texto

Monsenhor José de Castro foi um dos ilustres brigantinos que deixou um contributo inestimável para a cultura portuguesa mas que passa despercebido na região de origem. Um caso como tantos outros, de transmontanos que se fazem ao mundo e por ele deixam a sua marca.
Esteve bem, por isso, a diocese de Bragança-Miranda quando e a Câmara Municipal de Bragança que, em colaboração com a Universidade Católica Portuguesa e Cátedra Infante D. Henrique para os Estudos Insulares e a Globalização, da Universidade Aberta, decidiram realizar um evento científico para, mais do que estudar, recordar Monsenhor José de Castro, numa altura em que passam 50 anos da sua morte.
Uma jornada enriquecedora, prevista para esta sexta-feira, que ninguém deve perder. Um sinal de justiça para com um dos nossos que foi um dos grandes.

Mas a memória não serve apenas para recordar. Serve, também, para vigiar e cobrar. E o PS de Bragança está a por-se cada vez mais a jeito para uma grande cobrança de militantes, simpatizantes e votantes de longa data. O processo das próximas autárquicas está a ser gerido com os pés de um elefante em loja de porcelanas e, com isso, há já quem fale numa vitória mais do que folgada para Hernâni Dias, que deve ser oficializado como candidato do PSD no próximo dia 28 (apesar de já ter sido anunciado aos militantes na segunda-feira). E por folgada entenda-se 6-1 em vereadores. Uma autêntica goleada.
O Secretariado de Luís Silvestre bem tem tentado chamar o (ainda) líder à razão mas o processo atrapalhado do convite a José Sócrates só ajudou a semear a discórdia e o descontentamento com um líder que se arrisca a sê-lo por pouco tempo.
Para tornar a cena ainda mais ridícula só se se confirmasse aquilo que em surdina se vai comentando, numa alegada tentativa de aproximação a Paulo Xavier, para saber da disponibilidade para encabeçar a candidatura rosa ao Forte de S. João... O que vale é que isso não passará de alguma diatribe de quem quer semear a confusão, como há três anos, quando se falou da aproximação de Xavier e Humberto Rocha.
Mas, entretanto, o tempo passa e Carlos Guerra já deve deitar as mãos à cabeça com tanta trapalhada por parte do elemento que escolheu para liderar a Concelhia. É que nos restantes concelhos do distrito o processo está mais do que encaminhado, enquanto na capital de distrito se ‘pescam’ nomes para candidatos. Ideias é que nem vê-las... Haja memória.