Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Sex, 2016-12-02 18:22

Lideranças vazias

Texto

Não está fácil a vida para o Partido Socialista de Bragança e, em especial, para Luís Silvestre.
Às dificuldades em fazer lista para se candidatar à concelhia, à falta de confiança que cresceu na relação com Lisboa até ao impasse na escolha do candidato à Câmara da capital de distrito, o caminho no cargo que há 20 anos almejava tem sido um autêntico campo minado.
Depois de anos e anos afastado dos cargos de decisão, Silvestre arrisca-se a ficar sem o poder, agora que lá chegou. É como apagar a luz a um cego que tinha acabado de voltar a ver.
A escolha da concelhia socialista está feita e passa por tentar forçar Jorge Gomes (com quem mantém uma relação azeda) a deixar o Governo, onde tem tido um desempenho altamente elogiado e onde pode bater-se pela região para encabeçar uma luta que já foi a sua duas vezes, uma delas a contra-gosto (e quando chegou a vez de poder, de facto, vencer, foi afastado da corrida). Esse caminho está, portanto, mais do que fechado, até porque o Governo da aliança à esquerda dá mostras de se querer aguentar até final da legislatura.
Insistir nessa pseudo-solução faz-me lembrar a definição que Einstein tinha para a loucura: insistir no mesmo comportamento esperando resultados diferentes.
Luís Silvestre arrisca-se, por isso, a ficar sem o único verdadeiro poder que nesta altura conta - ter uma palavra a dizer na escolha do candidato do partido à maior câmara do distrito.
E o convite a José Sócrates para vir a Bragança apresentar um dos seus livros mostram apenas o reaproximar a Mota Andrade, que andava afastado da política desde a subida de António Costa à liderança do partido, e de quem dizia cobras e lagartos há 20 anos, quando um liderava a concelhia dos jovens e o outro a concelhia dos seniores, acabou por semear ainda mais a discórdia no seio do secretariado.
Aparentemente, trata-se de uma jogada de Silvestre de aproximação aos elementos da concelhia anterior, como que mudando a aposta para outro cavalo, pensando já no futuro e na queda de Costa e Gomes. Logo se vê quem cai primeiro...

Enquanto isso, Hernâni Dias vai assistindo de poltrona aos desenvolvimentos. Mas convém que não se distraia, até porque desde o verão que se vem cozinhando uma possível candidatura à Câmara, com Jorge Novo à cabeça. Independente? Com o apoio do CDS? Ou apenas uma jogada de pressão para obrigar Hernâni Dias a recompor o elenco do seu executivo, de forma a incluir alguns dos elementos perdedores?