Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Qui, 2016-09-01 18:34

Três anos e meio à espera de um papel??

Texto

A queixa do presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, José Luís Correia, durante a abertura da Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite, apanhou o Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, de surpresa.
A ausência de um papel (alegadamente do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas) está a emperrar o investimento no concelho. Em causa estarão vários milhões de euros (como se pode ler aqui ou na edição impressa).
Tal como disse Jorge Gomes, “é inadmissível estar três anos e meio à espera de um papel”.
Do mal, o menos. O governante prometeu tratar do assunto, que nem é diretamente do foro da sua secretaria de Estado, nos dias seguintes.
O problema é que se não se desse o caso de Jorge Gomes ser da região, o que faz com que tenha uma maior sensibilidade para os problemas do Nordeste Transmontano, e não tivesse estado presente na abertura desta feira, o assunto continuaria a arrastar-se nas secretárias dos burocratas do Terreiro do Paço.
Ora, isso é inadmissível, sobretudo numa região e que se precisa de investimento, criação de riqueza e postos de trabalho tanto como de pão para a boca.
Este é apenas mais um exemplo de como a relação entre o poder local (Câmaras e Juntas de Freguesia) e o ICNF está cada vez mais difícil. E, com atitudes destas, o instituto agora tutelado por Rogério Rodrigues, cuja nomeação não foi vista com bons olhos nem pelas hostes socialistas locais, dado o passado recente de conflitos com algumas autarquias, por exemplo (o presidente da Câmara de Vinhais sabe bem, pois já ganhou alguns dos processos que lhe foram instaurados precisamente na vigência de Rogério Rodrigues na região norte), só piora a perceção que os locais têm do ICNF. Que prejudica mais do que ajuda.
E, com isso, aumeta a pressão sobre um instituto que deveria estar ao serviço dos interesses da população e não manietado por sabe-se lá que outros interesses, entre madeira, ordenamento florestal, caça, coimas, é só escolher...
Pode ser que este tipo de alerta como o que fez o autarca de Carrazeda não caia em saco roto no Terreiro do Paço.
A região agradece.