A ALEGRIA DO EVANGELHO

 (meditando o texto da Exortação Apostólica do Papa Francisco – nº 1)
 
“A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.(1) O grande risco do mundo actual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado”.(2) Estas palavras do Papa merecem uma reflexão séria.
1º Coração cheio. A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida interior daqueles que se encontram com Jesus. Precisamos de cultivar este encontro contínuo, amigo, cordial, tu a tu, coração a coração. Isto supõe mais tempo para Ele, mais oração, mais diálogo, mais contemplação, mais permanência junto d’Ele, mais intimidade com Ele mesmo durante o dia, o trabalho, a viagem, etc. Só assim seremos salvos por Ele, perdoados, redimidos, reconciliados. Libertos do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Só com este encontro contínuo poderemos ter o coração cheio da paz e da alegria. Como alimento a relação orante e amiga com Jesus e com o Evangelho? Que tempo, que companhia Lhe faço? Como permaneço n’Ele, estou n’Ele, vivo n’Ele e vou beber à fonte da Vida, que é paz e alegria?
2º O risco do mundo. A oferta do consumo e a busca dele lança-nos na tristeza, pois o coração se torna comodista e mesquinho. Há busca desenfreada de prazeres superficiais e a consciência fica isolada. Como sinto este risco mundano na minha vida, nos meus prazeres superficiais, na busca do consumismo doentio, nos apegos desordenados? Fecho-me nos meus interesses e não tenho espaço para os outros, para os pobres, os marginalizados, os doentes, os “pecadores”? Fechado nos meus interesses e prazeres, preocupações e apegos, não ouço a voz de Deus, não gozo da doce alegria do seu amor, nem fervilha em meu coração o entusiamo de fazer o bem. Sinto que esta “doença”, esta “atrofia”, esta mentalidade me prende, me torna “doente”, me manipula?
3º A vida que jorra do Coração do Ressuscitado. Quando me deixo aprisionar, adoecer, entristecer, fico ressentido, queixoso, sem vida para mim e para dar aos outros. Uma vida plena e digna, que é desígnio de Deus para seus filhos, é plena de paz e de alegria. A vida do Espírito em nós é fonte dessa paz e alegria que são os primeiros dons e frutos do Espírito Santo. É assim que eu vivo, que me esforço por viver, aceitando o desafio do amor de Deus que me dá a audácia do dom e da entrega e me faz feliz? Recordo a palavra de Paulo que “a felicidade está mais em dar do que em receber”? Dou e dou-me sem recusas, sem reservas, tentando ser “tudo para todos”? Ou deixo-me instalar, viver comodista, aburguesado, sem a alegria que nasce do Coração do Ressuscitado? Sem buscar a união contínua com Ele, sem esforço e audácia de querer fazer de Jesus meu tesouro, minha vida, minha paixão, meu único amor?