A opinião de ...

Notas soltas

 
 
1- O Papa Francisco repetiu o repúdio por si já, várias
vezes, expresso, quanto a condutas de abuso sexual, nomeadamente de menores, e de pedofilia na Igreja Católica. Retomando, de resto, intervenções de Bento XVI. Um sinal mais de afirmação de valores e de princípios, testemunho de coerência entre a doutrina e a prática no e do povo de Deus.
 
2- Agrava-se a situação no Iraque e na Síria, bem como na actuação de movimentos terroristas em crescendo nessa área geográfica. Chamada de atenção urgente impõe-se para erros passados e passividades presentes de muitos, de vários lados, lentos a entenderem os riscos para a paz mundial.
 
3- Mais uma especulação acerca de eventuais comportamentos criminosos de um antigo Presidente francês. Independentemente do bem fundado-ou-não da especulação, impressiona a visão cada vez mais descrente dos cidadãos naqueles que os governam, a começar na ética das suas condutas.
 
4- Há muito Portugal deixou a Copa do Brasil. Sem cuidar - neste ensejo de causas e culpados -, ficou um amargo de boca num povo muito sofrido com a crise e que sonhou alto como forma de iludir, ao menos transitoriamente, as agruras de um tempo de provação.
 
5- Neste tempo de provação, multiplicam-se os gestos de solidariedade – em grande número com empenhamento de cristãos -, a lembrar que as carências não passam ao ritmo das estatísticas macro-económicas e as saídas da crise não são todas iguais e simultâneas. Nada de esmorecer numa acção perseverante e dedicada!
 
6- A acção social é uma das vertentes da presença dos cristãos na
comunidade .Vertente decisiva. Mais uma razão para participar com
entusiasmo nos encontros diocesanos, que vão reflectindo sobre a nova evangelização num tempo novo, com destinatários diversos e meios de comunicação e de testemunho diferentes.
 
7- O fim do ano lectivo representa sempre ocasião privilegiada de
balanço e de preparação do futuro. O que falhou na nossa escola? O que vingou e abriu novas sendas para o futuro? O que crescemos ou deixámos de crescer neste ano? A Educação de todos faz-se muito desse repensar e desse corrigir de metas, métodos, vivências de sonhos.
 
8- Sonhos, teve-os sempre Sophia de Mello Breyner. Virados para o
Alto, mas com os pés bem assentes na terra. Nunca deixando de
acreditar, de lutar, de apelar à radicalidade da mensagem cristã encarnada no nosso tempo e no nosso espaço.
 
9- Os partidos da coligação debatem o futuro dessa coligação. O
principal partido da oposição debate o melhor candidato a apresentar
para governar o país. Os médicos fazem greve para salvaguardar o SNS que o responsável governativo garante estar salvaguardado. Alguns partidos discutem se a gestão de um banco liderante foi ou não imposta por outro partido. A perplexidade é muita no espírito de milhares de portuguesas e portugueses. Têm dificuldade em
entender o que se passa nesse país aparentemente longínquo que é o dos políticos ou de certos políticos. Mais um motivo para que estes
distingam essencial de acessório, substancial de instrumental ou pessoal, e expliquem, de modo entendível, o que, às vezes, parece confuso ou desmobilizador.
 
10- Chegaram do Brasil os meus netos. Depois de meses, que soaram a uma eternidade, de ausência. E, de repente, este Verão tímido e intermitente ficou cheio de sol e de alegria, e de promessas de instantes irrepetíveis e acalentadores. Nesses instantes como não saudar o Criador e não agradecer-lhe a Graça da Vida, inseparável da Graça da Fé. Eu sei que, nas últimas semanas, partiram entes queridos, três deles jovens demais - se é que alguém é velho demais para partir do nosso convívio terreno - e, por cada separação
sobreveio uma saudade indizível e um sentimento de perda dolorosamente estranho.
 
Mas, mesmo aí, a Fé buscou dimensões novas - acerca do passado e do futuro. Dos que partiram e dos que ficaram. Com a certeza de que
Deus, infinitamente bom, não esquece nada, ao abrir os caminhos para a Eternidade.
 
 
PS.: Muito importante - não poderia esquecer, nestas linhas para o
Mensageiro de Bragança, uma referência feliz e congratulatória ao facto de o Papa Francisco ter concedido ao Santuário de Santo Cristo de Outeiro a honra, para não dizer o privilégio, da elevação a Basílica
 
Menor. Este título atende, em regra, à veneração dos fiéis, à relevância
histórica ou à beleza da arquitectura ou da decoração. O mais significativo do caso vertente é o ser o único de uma aldeia
portuguesa a receber esta concessão papal! Que alegria para os
católicos da diocese e que motivo de orgulho para os que vivem a sua Fé numa antiga capital de concelho, entre 1514 e 1853!

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3482