A opinião de ...

Apontamentos

Hoje, os temas que escolhi são só três, muito variados. Todos, a meu ver, importantes. Para breves apontamentos, em tempo fim de clima de férias, mesmo para quem as não teve ou as encurtou drasticamente.
Primeiro: Francisco continua a chamar-nos, todas as semanas, ao empenho na evangelização pelo exemplo. E a corrida que temos de fazer nesse percurso é bem difícil: simultaneamente com perspectiva de longo prazo, que a nossa meta é a eternidade,e de curtíssimo prazo, porque, passando a nossa salvação pelos outros, pelos nossos irmãos, não podemos perder um segundo de atenção, de solidariedade, de serviço a tanta carência, tanta necessidade, tanto sofrimento silencioso, neste sair de crise que é mais crise do que sair.
Segundo: a chacina dos cristãos no Iraque, destruindo por completo uma comunidade multissecular num ápice, merece uns minutos de meditação, de oração, de profunda admiração por milhares de bravas e de bravos, de indisfarçável indignação pela omissão politicamente correcta de muitos que, com justiça, costumam clamar pelos direitos humanos, a liberdade, o pluralismo religioso, o reconhecimento das minorias.
Terceiro: bom senso e cabeça fria é o que é preciso para lidar com o tema deste quase Outono chamado ‘meetings’ convocados pelas redes sociais. Sem cedências quanto à garantia da segurança de pessoas e bens, mas sem criar ou alimentar climas de confrontação  etária ou racial, felizmente não usuais entre nós, importando modelos ou temores sociais de outras paragens. Desempolar, esvaziar o que, de parte a parte, seja excessivo, distinguir riscos reais de medos artificiais - impõe-se. Num País que mudou imenso em quatro décadas, de Império para a configuração geográfica dos tempos do arranque da Nacionalidade, mas com emigrantes em todos os continentes e Lusofonia cá dentro e lá fora, sem ditadura mas com democracia cansada e gasta, sem o poder de meia dúzia de grupos económicos dominadores mas com o poder dos grandes grupos multinacionais, sem o orgulhosamente sós impossível de outras eras mas com o exigentemente abertos ao mundo e aos seus difíceis e, amiúde, imprevisíveis desafios.
Neste turbilhão de mudanças, já bastam os fantasmas, os dramas ocultos ou patentes, os problemas efectivos e numerosos. Juntar-lhes outros ou agravar os existentes não é prudente. Nem civicamente nem moralmente.
Três temas para reter, reflectir e agir. Dever mais fundo ainda dos cristãos. Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar. Como lembrava Sophia. E nunca é demais recordar.

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3491