A opinião de ...

Quanto mais para trás se olhar melhor se vê para a frente

Um dia Winston Churchil disse: “Quanto mais para trás se olhar melhor se vê para a frente”.
Vem este pensamento a propósito da política económica que a Europa, melhor dizendo a Alemanha, vem impondo aos países do sul do velho continente. Essa orientação tem sido marcada por dois tipos de diretrizes. A primeira decorre de terem pensado que a crise das dívidas soberanas deveria ser combatida através do reequilíbrio orçamental e tão depressa quanto possível, isto é, à bruta. A segunda diretriz teve a ver com a necessidade de se encetar reformas estruturais, com vista a tornar as economias mais flexíveis.
Hoje temos de reconhecer que estas orientações conduziram a um estrondoso falhanço que aconteceu porque se pensou de forma errada que a crise das dívidas soberanas tinha sido consequência de algum laxismo orçamental público, quando na verdade o problema tinha mais a ver com o excesso de dívida do setor privado. Assim, o setor privado teve que reduzir a sua dívida, teve que fazer restruturação das empresas, teve que reduzir custos e pessoal, etc. A recessão da economia aconteceu porque, também e ao mesmo tempo, o setor público entra num caminho de austeridade. Neste processo não aconteceu o que na teoria da economia pública é altamente recomendável, a adoção das chamadas políticas anticíclicas.
Por outro lado as chamadas reformas estruturais não resultaram porque foi desvalorizado o efeito da procura. Acreditou-se que com essas reforma e como que por efeito automático surgiria um aumento da capacidade de produção. Ora isso só acontece quando há procura para esses produtos. Não acontecendo esse aumento da procura, as expectativas baixam, o investimento cai, as falências acontecem e o desemprego aumenta.
Estes efeitos conduziram à situação dos nossos dias. Quando se olha para trás fica claro que com este tipo de orientações não é, de facto, possível que haja crescimento económico, nem nos países do sul da Europa nem, ao que agora parece claro, na Zona Euro.
Se o pensamento de Churchil for acolhido um olhar para os últimos cinco anos da vida da Europa, e em particular da Zona Euro, aconselha a mudar de vida e a optar por outros caminhos, por exemplo, por um grande programa de investimentos nas áreas da energia, ambiente e transportes marítimos e ferroviários que hoje, dadas as condições dos mercados financeiros, podem ser financiados praticamente sem juros.
Por esta via estimular-se-ia a procura agregada de uma forma que poderia acontecer muito rapidamente, com efeitos positivos não só no forte aumento do investimento, na criação de emprego, mas também em toda a economia de uma forma geral. A médio prazo este caminho arrastaria um efeito com enorme potencial para o crescimento de toda a zona euro.
Esperemos então que os responsáveis saibam olhar para trás para melhor poderem ver para a frente.

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