Discernimento Evangélico

 
31- Meditações sobre a Exortação Apostólica
“Antes de falar de algumas questões fundamentais relativas à acção evangelizadora, convém recordar brevemente o contexto em que temos de viver e agir. É habitual hoje falar-se dum «excesso de diagnóstico», que nem sempre é acompanhado por propostas resolutivas e realmente aplicáveis. Por outro lado, também não nos seria de grande proveito um olhar puramente sociológico, que tivesse a pretensão, com a sua metodologia, de abraçar toda a realidade de maneira supostamente neutra e asséptica. O que quero oferecer situa-se mais na linha dum discernimento evangélico. É o olhar do discípulo missionário que «se nutre da luz e da força do Espírito Santo»1. Evangelii Gaudium, nº 50)
 
1º Excesso de diagnóstico. O Papa nos coloca perante a realidade de muitos sectores da sociedade e da Igreja em que há excesso de diagnóstico mas depois não se exprime e acompanha com propostas concretas para resolver, para actuar, para serem aplicadas com seriedade e compromisso. Por outro lado, diz o Papa Francisco que não nos seria de grande proveito um olhar puramente psicológico, que tivesse a pretensão, com a sua metodologia, de abraçar toda a realidade de maneira supostamente neutra e asséptica. Um puro olhar sociológico, com seus estudos, confrontos, esquemas, análises não basta para “ver” com olhos cristãos o mundo e suas realidades. Portanto nem u olhar e a ciência psicológica, nem a metodologia sociológica não são solução para ajudar a resolver algumas das questões fundamentais relativas à acção evangelizadora. O nosso modo de ser e agir tem que ter outro fundamento.
 
2º Discernimento evangélico. Com base na Palavra de Deus, sobretudo no Evangelho, no ser, no proceder e no falar de Jesus, em sua vida e seus ensinamentos, que podemos buscar bases seguras para um discernimento. O padrão das bem-aventuranças, o mandamento novo, a humildade do serviço e do lava-pés, a cruz assumida como caminho para a ressurreição, serão entre muitos outros, os dados evangélicos para um discernimento em ordem à acção evangelizadora. O nosso programa, a nossa acção, as nossas opções têm que ser feitos após um sério discernimento evangélico. Mas quem o faz? Mesmo a nível paroquial, diocesano, a nível de reuniões, de movimentos apostólicos, a nível de muitas decisões que se tomam sem um sério e cuidadoso discernimento, vamos cedendo à nossa vontade, ao que nossos critérios, àquilo que nos parece melhor, sem nos confrontarmos com a Palavra e sem discernimento evangélico.
 
3º Luz e força do Espírito. O olhar cristão, o olhar missionário tem de nutrir da luz e da força do Espírito Santo. Só Ele é sabedoria divina que nos centra no essencial e nos ilumina o discernimento evangélico. Precisamos de consukltar os “gemidos do Espírito”, como afirma S. paulo, tentar perscrutar o que Ele nos diz interiormente, estar em comunhão com Ele, para podermos acertar com aquilo que é a vontade de Deus para a nossa missão evangelizadora. E o discernimento só se faz se ouvirmos o Espírito, e não só a opinião deste ou daquele teólogo, deste ou daquele pastor, deste ou daquele bispo. Quantas opções e decisões foram mal tomadas porque não ouvimos o Espírito.
 
João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis (25 de Março de 1992), 10: AAS 84 (1992), 673.