Notas soltas

Este quase Inverno parece infrene, na agitação das notícias e no desnorte das situações.
Na Ucrânia, a tensão subiu, outra vez. Como sobe na Síria e no Iraque. Nos EUA, republicanos ganham e endurecem o tom.
Na Europa, crise em França, manifestações violentas na Bélgica, partido anti-partidos surpreende em Espanha.
Juízes portugueses exigentes em Timor são expulsos.PT espera por novo dono. Troika e Governo trocam argumentos sobre ortodoxia orçamental.
Desemprego desce mas preocupação política não.
Campanha eleitoral começa, onze meses antes da data do veredicto.
Uma vaga sensação de desgovernação no mundo e de difusa governação europeia soma-se à escalada eleitoral entre nós.
E, de repente, fica claro que o ritmo alucinante da mudança impede a serenidade da análise e a distância da ponderação.
As reviravoltas financeiras, económicas e políticas deixam responsáveis sem respiração e povos sem mínima compreensão.
Os valores sofrem com esta corrida contra-relógio, em que nem tempo existe para os considerar.
As pessoas são objecto, não sujeito da História. Ela atropela-as, sem complacência e com indiferença mesmo.
Parar uns instantes e olhar com olhos de ver e entender é prioritário.
Reabilitar o respeito das pessoas concretas, de carne e osso, não descartáveis por transpersonalismos de toda a sorte, também.
Arrumar ideias, estabelecer primazias, promover paz e justiça, criar riqueza e equidade na sua distribuição, recredibilizar os servidores das causas comunitárias repescar a Esperança, difundir o Amor-Caridade, alimentar a Fé-tudo isto são desafios para um tempo de confusão, formalismo oco, pragmatismo sem alma, egoísmos de sobrevivência ou de dominação.
E o Advento, que nos aguarda, convida a este caminho. Feito de oração, meditação e acção.
É pegarmos em nós próprios ou no que resta dos seres fragmentados em que nos convertemos, reunificarmos o que andava disperso, e acreditarmos que é possível recomeçar a caminhada.
O Natal, a seis semanas apenas, apela à atenção ao essencial, à dispensa do acessório, ao redescobrir de valores, ao reconstruir de pontes, ao colocar o acento tónico no serviço dos outros.
Esta semana, lembrando os sacrificados na charneira do Leste europeu, no Próximo e no Médio Oriente. Entre os quais, muitos cristãos, destruídos por causa da sua Fé. E rezando e trabalhando por novos amanhãs em todas essas terras de intolerância e de ódio.
E, ao arrumarmos este nosso plano de vida para os dias que faltam para o Natal, como que sentimos que estamos a arrumar a nossa visão do que nos rodeia, a dar mais sentido ao nosso percurso.
No meio do aparente caos que nos chega pelos mais diversos canais comunicacionais, avulta um trilho...
Afinal, tudo pode ser mais simples, mais claro, mais motivador.
Basta parar um pouco e escolher o fundamental. O resto virá por acréscimo.