A opinião de ...

Carta Aberta à Senhora Esquerda

Meus caros leitores do Mensageiro de Bragança,
O Senhor Padre José Carlos tem insistido comigo para voltar às páginas do nosso semanário. Espero que me perdoem esta ausência que é devida a constrangimentos provocados pela uma nova etapa da minha vida que me levou a ir viver para Bruxelas, onde desempenho a tempo inteiro funções junto do Presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker. 
Não é fácil deixar a nossa terra, os muitos amigos que fui cultivando ao longo de uma vida de 65 anos e a família, especialmente quando há quatro netos encantadores para os meus olhos. A única razão porque decidi aceitar o convite do Presidente da Comissão Europeia foi apenas e tão só a amizade pessoal que nos une há cerca de trinta anos. Quando Portugal aderiu à então chamada CEE ambos eramos ministros do trabalho, ele do Luxemburgo e eu de Portugal. Com o decorrer do tempo acabamos por ser os mais antigos ministros em funções o que num tempo em que a União Europeia era apenas composta por doze Estados Membros nos ia dando um estatuto de uma certa respeitabilidade por parte dos outros ministros que se iam sucedendo nos respetivos cargos. Nunca a nossa relação foi interrompida após a minha saída do governo e até foi reforçada nos cinco anos em que fui deputado no Parlamento Europeu.
Várias vezes Juncker veio a Portugal e sempre encontrou uma forma de nos encontrarmos, nem que fosse por alguns minutos e a título privado. Numa dessas deslocações em 2014 tive o grande gosto de propor que lhe fosse atribuído pela Universidade do Porto o grau de “Doutor Honoris Causa” e, a convite do Reitor da Universidade, proferi o elogio do novo Doutor na cerimónia solene que se realizou no Salão Nobre daquela Universidade.
Acompanhei de perto o processo que levou a que ele fosse escolhido para chefiar a Comissão Europeia em que veio ao de cima as qualidades do homem sério, inteligente e conhecedor como poucos dos mais importantes dossiers da política europeia. Sou, por isso, além de amigo, um admirador confesso do político e sobretudo do modo como faz política em que o foco está sempre na busca de condições para que todos se possam realizar na medida dos seus desejos. Para ele o crescimento económico e o progresso só têm sentido se for para todos e não apenas para alguns. Porque partilho muitos dos seus ideais, porque sou seu amigo e admirador e porque ele insistiu e justificou essa insistência dando boas razões para que eu fosse trabalhar junto dele que tive que limitar a minha e presença noutras tarefas e atividades. Um dos lesados foi o Mensageiro de Bragança, a quem prometo que, com alguma regularidade, tentarei na medida das minhas possibilidades voltar ao vosso contacto.
Trás-os-Montes e o Douro para mim são, desde há muito, uma paixão. Nos últimos tempos tenho dedicado particular atenção à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em que sou Presidente do Conselho Geral e estou muito orgulhoso da transformação ocorrida nesta Universidade nos últimos anos. Fica prometido que esse será tema de um próximo artigo.
 
Até lá um abraço amigo de Bruxelas.

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