A opinião de ...

O IPB e o futuro da região

1 - Na noite do passado dia 28, o IPB organizou um debate sobre o desenvolvimento do Nordeste Transmontano, em que esteve presente o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Nesse debate, vários intervenientes do mundo empresarial e do mundo académico desfilaram uma série de ideias e opiniões, numa mistura de projetos credíveis e sérios com claras manifestações de narcisismos estéreis.
2 - A propósito desse debate, lembrei-me duma entrevista que Isabel dos Santos deu à BBC, em que a empresária angolana, formada em Engenharia Mecânica em Londres, apontava o conhecimento como a maior ajuda que a Europa poderá prestar à África. E, de facto, bem vistas as coisas, a maior pobreza e o maior obstáculo ao desenvolvimento africano não é a falta de recursos naturais, mas a incapacidade de os aproveitar e potenciar, através do conhecimento.
3 - Por outro lado, se a ignorância é a causa principal do atraso do continente africano, o conhecimento tem sido a principal causa da riqueza do mundo desenvolvido. Não nos podemos esquecer, por exemplo, que, nos últimos 21 anos, Bill Gates foi considerado, em 16 deles, a pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna avaliada em cerca de 80 mil milhões de dólares. Como todos sabemos, porém, essa fortuna assenta no hábil aproveitamento que ele fez do conhecimento no ramo das novas tecnologias.
A par da fortuna de Bil Gates, muitas outras fortunas e empresas de grande sucesso foram construídas a partir das novas tecnologias. Em Portugal, existe, neste momento, uma empresa – a Farfetch - que está avaliada em 894 milhões de euros, tendo sido fundada por um jovem empresário de Leça do Balio, que entrou no mundo dos negócios das novas tecnologias, apenas em 2008.
4 - Por isso, não tenho a menor dúvida de que o desenvolvimento da nossa região passará também pelo conhecimento e que, sem este, o nosso futuro continuará hipotecado. Recursos, temo-los em quantidade suficiente, já que temos bom vinho de mesa e o vinho do Porto, único no mundo, temos castanha, amêndoa, azeitona, a maior jazida de ferro da Europa e condições excelentes para a produção de carne certificada, com uma qualidade ímpar na economia do país. Temos, ainda, excelentes potencialidades paisagísticas e gastronómicas na área do turismo.
Falta-nos, porém, o conhecimento científico necessário, tanto no domínio da produção como no domínio da gestão, para potenciarmos todos esses recursos e colocarmos a nossa região na vanguarda do desenvolvimento, mantendo simultaneamente as nossas condições de qualidade de vida, que já escasseiam nos grandes centros urbanos do litoral.
5 - Neste contexto, o Instituto Politécnico de Bragança tem um papel único a desempenhar. Felizmente, nos últimos anos, abandonadas algumas bandeiras quixotescas do passado, mais viradas para interesses corporativos do que para o futuro da região, o IPB tem sabido adaptar-se à crise da falta de alunos, mostrando inteligência e imaginação para os ir captar aos mais variados cantos do mundo, o que é tarefa mais difícil do que à primeira vista possa parecer. Esse mérito ninguém lho pode tirar, e a atual direção está de parabéns por esse facto.
Esperamos que saiba, também, dar os passos necessários para colocar, ao serviço da região, o conhecimento indispensável para fazer, do Nordeste Transmontano, uma região desenvolvida, de forma a que todos os seus filhos aqui possam construir a sua vida profissional. 

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