Editorial

António G. Rodrigues // Sex, 2016-06-03 23:13

Obrigam-nos a gritar mas depois queixam-se do ‘estardalhaço’...

Texto

Ao longo de séculos, muitos foram os que menosprezaram a força do povo, o poder da multidão. A história está pejada de exemplos de líderes vergados ao poderio da massa anónima, das ruas.
Foi essa força que trouxe a Macedo de Cavaleiros um Ministro da Saúde assinar um acordo para “repor a justiça”. O povo falou, mais alto do que cores políticas e alianças partidárias, a uma só voz. E foi ouvido. O problema é que a voz do povo transmontano tem de ser gritada mais alto, vociferada mesmo, para ultrapassar as barreiras dos montes e chegar para lá do Marão, aos ouvidos ‘litoralistas’, ensurdecidos, muitas vezes, pelo torpor eleitoralista.
Mas se é força na voz que é preciso, é força na voz que se arranja.
Esta semana foi exemplo disso mesmo, numa prova de que a justiça popular tarda, mas não falha.
José Cid, embevecido pelos holofotes de um Qualquer canal de televisão, deixou-se levar pela verborreia. O clamor demorou seis anos mas levantou-se e com a força toda de todo o povo transmontano, mostrando que as redes sociais são perigosas para quem faz pouco caso delas. Assim como das massas populares.
O clamor que se levantou foi de tal ordem que José Cid terá de enfrentar uma autêntica muralha da China quando entender regressar a estas paragens, se calhar mais intransponível do que a que ele próprio sugeriu para travar Tony Carreira, transmontano só de coração.
É deste tipo de união e de clamor que a região precisa na discussão pelos fundos comunitários, em que aquela região sub-desenvolvida que se chama Grande Porto tem ficado com a fatia de leão do bolo que cabia a todo o Norte. E ao qual só tem direito precisamente porque alguém considerou que a Área Metropolitana da segunda maior cidade do país era comparável a distritos como o de Bragança ou de Vila Real, onde os indicadores de desenvolvimento se mostram muito mais desfasados da média nacional e europeia.
Também aqui é precisa união em torno da mesma voz para conseguir decibéis suficientes para transpor a barreira do Marão. Se tiverem dúvidas, é só perguntarem como é que os nordestinos fizeram para ficar com o helicóptero. Afinal, é tudo uma questão de justiça...