Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Qui, 2016-06-23 10:58

A inércia transmontana

Texto

Inércia. De acordo com o dicionário, é a 1.falta de ação ou falta de atividade;  2. preguiça, indolência ou  3. a propriedade dos corpos que não podem, per si, alterar o seu repouso ou o seu movimento. Ou seja, um corpo não submetido à ação de nenhuma força.
Ao longos dos tempos, aos transmontanos têm feito o mesmo que se faz às espinhas, atiradas para a “borda do prato”, sobretudo pela tendência centralista de uma nação que vira demasiado as costas à Europa, quando é da Europa que chegam, últimamente, os únicos fundos que vão estando disponíveis para investimento, não na região, mas no país.
Para além dos fundos, na Europa, ao lado e a norte de Portugal, reside ainda outro fator a ter em conta que, infelizmente, não bunda por estas bandas: gente. Daquela gente que gasta dinheiro em turismo e compra produtos. Enfim, que gasta dinheiro.
Ainda me lembro de aprender na escola primária, com a Ir. Martins, que a distância mais curta entre dois pontos era uma linha reta. E o Nordeste Transmontano está bem cravado no meio dessa reta que liga Lisboa ao coração europeu. Agora falta saber tirar partido desse atalho, numa altura em que o Túnel do Marão faz evitar ainda mais as curvas.
Pelo que se vai vendo, as barreiras do Marão estão já a atrair empresas à região. Ainda esta semana chegou uma que promete assentar arraiais e já começou a contratar elementos nativos. A expansão da Faurécia é uma realidade que vai permitir  um valor acrescentado bruto de 47 milhões. Enquanto isso, António Frazão, patrão da MTI, desespera pela demora nos procedimentos que vão permitir a entrada de mais uns quantos milhões de euros no distrito de Bragança.
No meio da espera, quem não pára são os vizinhos espanhóis que, mesmo com as dificuldades em ter um governo, têm as obras do AVE (comboio de alta velocidade) em bom ritmo e a estação da Sanábria está cada vez mais perto.
Um conjunto de fatores que, quando num movimento conjugado, terão inércia suficiente para pôr a região a mexer e levar o resto por arrasto. Desde que não haja forças que contrariem esse movimento.