Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Qui, 2016-06-23 11:00

O problema que se cura todos os dias

Texto

Uma terra sem juventude é uma terra sem futuro. A maior ferida que se pode abrir no coração de uma região é expurgar os seus jovens.
A política há muito percebeu isso. Não encontrou foi o remédio para o problema sem ser o recurso aos velhos chavões, que se vão gastando de boca em boca, à medida que a convicção de quem os usa vai esmorecendo. Gente nova é sinónimo de vida e prosperidade. Mas para fixar jovens numa região em que o acesso à saúde, à cultura, à prática desportiva é mais difícil do que no litoral apinhado, é preciso criatividade. E empregos. A Faurecia é, por isso, um maná que caiu dos céus na mão de quem governa a região e que, em abono da verdade, se começa a saber aproveitar. Mas como uma andorinha não faz a primavera, uma fábrica não faz uma multidão. Mas abre uma porta, que agora é preciso escancarar, de par em par, para deixar entrar aqueles que aspiram a mudar as suas vidas para melhor, fazendo, ao mesmo tempo, crescer a região.
 Como lembrou o Papa Francisco na sua mensagem aos jovens para a Jornada Mundial da Juventude de 2014, “num tempo em que se é atraído por tantas aparências de felicidade, corre-se o risco de contentar-se com pouco, com uma ideia «pequena» da vida. Vós, pelo contrário, aspirai a coisas grandes! Ampliai os vossos corações!”, exortou. O Papa recordou as palavras do Beato Pierjorge Frassati, “«viver sem uma fé, sem um património a defender, sem sustentar numa luta contínua a verdade, não é viver, mas ir vivendo. Não devemos jamais ir vivendo, mas viver» (Carta a I. Bonini, 27 de Fevereiro de 1925). Em 20 de Maio de 1990, no dia da sua beatificação, João Paulo II chamou-lhe «homem das Bem-aventuranças» (Homilia na Santa Missa: AAS 82 [1990], 1518)”.
“Se verdadeiramente fizerdes emergir as aspirações mais profundas do vosso coração, dar-vos-eis conta de que, em vós, há um desejo inextinguível de felicidade, e isto permitir-vos-á desmascarar e rejeitar as numerosas ofertas «a baixo preço» que encontrais ao vosso redor. Quando procuramos o sucesso, o prazer, a riqueza de modo egoísta e idolatrando-os, podemos experimentar também momentos de inebriamento, uma falsa sensação de satisfação; mas, no fim de contas, tornamo-nos escravos, nunca estamos satisfeitos, sentimo-nos impelidos a buscar sempre mais. É muito triste ver uma juventude «saciada», mas fraca”.
A nossa juventude está sedenta de oportunidades. Deixem-na saciar a sua sede.
 
Há quase cinco anos, tinha acabado de saber que o Papa Bento XVI acabara de escolher para pastor da diocese de Bragança-Miranda um dos filhos da terra, José Cordeiro, o mais novo bispo português de sempre. Acedendo ao meu pedido de comentário, D. António Montes Moreira, que deixava o cargo, a seu pedido, dizia: “se a idade é um problema, cura-se todos os dias...”
José Cordeiro é, hoje que se assinalam 25 anos desde que foi ordenado sacerdote, a candeia que o rebanho segue. Na sua ação, nas visitas pastorais, na proximidade, no carinho, tem revelado a Igreja a muitos jovens, despertando consciências e sendo uma voz ativa em defesa da sua diocese. Tem sido um dom. O nosso D. José Cordeiro...