Dar corpo à utopia

Na semana passada, o recém eleito presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Raúl Martins, condedeu uma entrevista ao jornal PÚBLICO, em que emitiu algumas pérolas mascaradas de opinião avalizada.
De entre elas, destaco as seguintes: “Estamos sempre a cometer erros, como construir autoestradas no interior para incentivar investimentos…
O que é que pode reter as pessoas ali? Só aspectos diferentes. A neve, o sol e mar, a parte histórica, isso interessa às pessoas. Se o Museu do Azulejo estivesse numa cidade do interior não iriam lá tantas pessoas. Às vezes esta vontade de que no interior se criem condições para atrair pessoas é uma utopia. E Portugal é muito padrinho da utopia.”

Se bem me lembro do que estudei em Filosofia Política na Universidade do Minho, Utopia é um livro escrito por Thomas More, no século XVI, em que o autopr criticava o Governo inglês e apresentava um modelo alternativo de sociedade.

Ora, segundo percebi das palavras do Sr. Raúl Martins, viver no Interior do país, com um mínimo de condições, é hoje uma Utopia. Será que isso quer dizer que seria o modelo ideal de sociedade que deveríamos ter, com um equilíbrio entre litoral e interior ao nível de oportunidades e condições de vida, de acesso à cultura, acessibilidades, saúde, educação?

Raúl Morais defende que só deveria haver turismo no litoral, pois é açi que há coisas para ver. É uma chatice ter de dividir os clientes, perdão, os turistas que, coitados, devem andar cegos pela utopia de descobrir as potencialidades naturais do interior, onde ainda não chegou a carga civilizacional que tem bem tem deixado o litoral.

A vinda da Volta a Portugal ao Nordeste Transmontano é uma oportunidade de ouro, pelas horas de exposição televisiva, de mostrar ao país e ao mundo que, por aqui, se se vive numa utopia, podemos bem compartilhá-la. Basta levantar a cabeça do umbigo.