Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Sex, 2017-01-20 14:50

A outra galinha dos ovos de ouro

Texto

O José Mário Leite que me desculpe o atrevimento, mas esta semana vou pedir emprestado o título da sua colaboração, que pode ler aqui, ainda que falando de um tema completamente diferente, a falta de visão de alguns dos nossos concidadãos.
Vem isto a propósito de uma situação que já foi denunciada nestas páginas várias vezes, pela Glória Lopes e pelo Fernando Pires, e que aponta para a dificuldade que os estudantes, sobretudo os estrangeiros, têm sentido em alugar quartos enquanto permanecem na região. Isso é especialmente notado em Mirandela mas, também, em Bragança.
Em conversa recente, dizia-me um amigo, homem de visão e de responsabilidades na região, que esse tipo de atitude dos proprietários pode vir a “matar a galinha dos ovos de ouro” em que se transformou o Instituto Politécnico de Bragança para o distrito.
Já houve mesmo cursos que estavam com financiamento garantido mas que foi impossível de entrarem em funcionamento pois os estudantes matriculados acabaram por abandonar a cidade, fruto da falta de alojamento.
É claro que ninguém pode obrigar os proprietários a alugar os seus imóveis mas, tratando-se de um negócio, convém que seja sustentável.
O que está em causa é uma situação que pode vir a ser preocupante para todos.
Com sete mil alunos, cerca de 1400 oriundos do estrangeiro, o IPB assume-se como um dos maiores pólos que movimenta a economia do Nordeste Transmontano.
Se os estudantes começarem a ter de abandonar a região por falta de condições de alojamento, começa uma bola de neve com consequências desastrosas.
Numa altura em que a multinacional francesa de escapes sediada em Bragança promete vir a empregar cinco por cento da população do distrito, ter um IPB forte e pujante é um passo significativo para toda a região ter um impulso económico importante.
Significa atrair jovens, fixar gente, ver dinheiro a entrar nas empresas, dar início a novos negócios e a economia florescer.
Se insistirmos em querer ganhar tudo de uma vez só, arriscamo-nos a ficar sem nada. Nem dedos nem anéis.