A opinião de ...

Proporcionalidades

 

Foram interrompidos os voos entre Bragança e Lisboa. Motivo: terminou o contrato do Estado com o operador privado que assegurava o serviço. A curto prazo não há planos para a renovação. Um dos entraves é o facto da Comissão Europeia ter levantado dúvidas sobre este financiamento do Estado Português de dois milhões e meio de euros por ano. 

As tarifas de ida e volta <http://www.aerovip.pt/index.php?idp=48&lang=pt>&nbsp; custavam cerca de 120 euros. Existiam 2 voos por sentido de segunda a sexta. Em  média cada voo tinha 8 a 9 passageiros, o que dará um total, por semana, de meia centena. Este serviço era utilizado particularmente pelos políticos: presidentes de câmara, vereadores, deputados e parece que... a Dulce Pontes. 

Este é mais um serviço que a região perde (já ninguém consegue entender)! As assimetrias entre o interior e o litoral agravam-se. Lamenta-se!

Curioso é a quantidade de gente “ilustre” que se ergueu a criticar esta interrupção. É um rodopio de declarações e comunicados de todo o espectro político do chamado arco da governação. Tudo normal, dirão. 

Compare-se  o ocorrido com o encerramento da  Linha do Tua que tinha muitos... e muitos mais utilizadores. No  penúltimo ano de utilização contaram-se cinquenta mil passageiros, Comparações feitas: o número de passageiros do avião era ridículo. Compare-se também com as reações de todas estas pessoas “ilustres” perante a paragem do comboio. Quase todos, “nem xus, nem mus”! Alguns houve, que aplaudiram o encerramento!

Tomadas as devidas proporções, perguntem-se quem necessitará mais dos transporte: Se a idosa da Ribeirinha que agora tem de alugar um carro para ir buscar os medicamentos à farmácia de Mirandela, se o senhor deputado que demora mais duas horas e gasta mais umas dezenas de euros para chegar a Lisboa na viagem que o erário público lhe subsidia? 

 
Edição
3399