A opinião de ...

Interiorização da ruralidade

 
Que concelho temos? O que pretendemos que ele seja? Quais as nossas diferenças e semelhanças com o resto do país? Qual a diferenciação que ambicionamos?
A aceitação daquilo que somos é condição sine qua non para percebermos onde podemos melhorar.
Os exemplos que pretendemos seguir ou imitar, devem estar em harmonia com a condição inicial, isto é, devem ter condições de replicabilidade.
Escolher um modelo de desenvolvimento económico, financeiro, urbano ou de infraestruturas, só porque o entendemos como sinónimo de progresso e se prova adequado nalgumas regiões, não é garantia de que produza os mesmos resultados no nosso concelho. Qualquer modelo apoia a sua estrutura em três vetores: entrada (input), processo (process) e saída (output).
Para que o mesmo modelo produza a mesma saída (resultados) é indispensável que a entrada e o processo sejam iguais. Ora, se não garantimos que as condições iniciais (entradas) sejam iguais, mesmo mantendo o processo igual, à custa de muito investimento, teremos sempre, sempre, resultados diferentes.
Aceitando a ruralidade do nosso concelho e tudo de bom que lhe está associado, que nos permite uma elevada qualidade de vida ambiental, alimentar e familiar, devemos defini-las como premissas à construção ou adaptação de modelos de desenvolvimento.
Se atentarmos aos nossos vizinhos, e admitirmos como hipótese de exemplo o concelho de Valpaços, demograficamente e economicamente mais pequeno que o nosso e que no entanto, através do seu movimento associativo, apoiado politicamente por quem detinha essa obrigação, constituiu três cooperativas que permite que os seus agricultores escoem os seus produtos na totalidade. Aliás, a dinâmica na procura de novos mercados e consolidação dos existentes, por parte das cooperativas é tão grande, que lhes permite alargar a entrada de sócios (cooperantes) a outros concelhos. 
Bragança é um concelho, eminentemente, agrícola. Somos um concelho do setor primário, só aceitando esta condição podemos criar mecanismos que protejam esta realidade e garantam valor acrescentado aos seus profissionais.
E, depois e só depois, devemos dedicar tempo e energias aos setores subsequentes.
As unidades transformadoras são fundamentais ao desenvolvimento, à criação de novos postos de trabalho, de novas formas de consumo, mas, se e só se, a sua necessidade surgir por imperativo da sociedade local e não por regalias concedidas pelos governos e autarquias. Não se deve nunca privilegiar os outros em detrimento dos nossos, nem o seu contrário, as políticas de gestão devem ser facilitadoras de criação de riqueza e não adversas à iniciativa privada, devem ser orientadas para alavancar projetos e não a procura desenfreada por atividades populistas.
Devem concentrar-se na vida quotidiana dos seus munícipes e não em números que ninguém sabe o que são, porque encerram em si verdades relativas, conforme a interpretação que se pretenda.  

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