Saber Amar, a Mais Bela de todas as Virtudes…!!

O Natal é, efetivamente, uma das épocas mais belas e alegres do ano. Recordo, com saudosismo, a minha infância, nomeadamente, quando toda a Família se reunia em casa dos meus avós, vivendo o Natal como a verdadeira festa cristã, alicerçada em valores simples, como a união, a partilha, a harmonia, o respeito e sobretudo o AMOR!
Imbuída por esse espírito, com o aproximar da época Natalícia, é, “ironicamente”, tempo da sociedade pensar nos “pobrezinhos” e “excluídos”, manifestando, de diversas formas, “paletes” de afetos junto dos mais carenciados. Por ser tempo de reconciliação, de “sacudir a água do capote” e fingir que está tudo bem, mascaramos uma falsa e infeliz realidade. Os chavões mais usados são o Amor e a Solidariedade, que entram em moda e se entranham em todas as mensagens e estandartes natalícios.
De facto, o Natal é uma época positivamente inspiradora por excelência, pena é que não seja Natal todos os dias, pois, seriamos certamente mais felizes…!
Contudo, porque acredito, veementemente, que o verdadeiro espírito natalício pode e deve ser celebrado diariamente, vou partilhar convosco o suposto SEGREDO. Perguntar-me-ão como isso é possível?! Eu respondo que o segredo reside dentro de NÓS e acreditem, não precisamos nenhuma rena que nos indique o caminho!
Enquanto seres racionais, possuímos um dom, algo único e mágico, que é o livre arbítrio, capacidade de tomar decisões, sustentado nas experiências, memórias e emoções. Por isso, não será exagerado afirmar que, em parte, somos, indubitavelmente, o que pensamos, motivo pelo qual, “não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos” (Anaïs Nin).
Assim, atendendo à íntima correlação que existe entre aquilo que sentimos e o que fazemos, se o Natal se concretiza através de atos de Amor, poderá ser um sentimento ao alcance do mais comum dos mortais. Todavia, para o conseguirmos materializar na sua plenitude, não podemos viver encarcerados em campos de concentração (social) ou em pensamentos nocivos.
Ainda sou do tempo em que rua era o local privilegiado para a confraternização, favorecendo verdadeiros e genuínos laços de amizade e de camaradagem, em que a honestidade era um princípio capital nas relações interpessoais. Hoje, infelizmente, já não é bem assim, essencialmente porque as pessoas vivem, intrincadamente, fechadas e cheias de conflitos ou questões mal resolvidas, onde, muitas vezes, o “parecer” vale mais do que o “ser”. Nunca a sociedade viveu tão só e isolada de valores!
Por tudo isso, para conseguirmos atingir, numa primeira instância, essa paz e bem-estar interiores, será necessário ter um coração, essencialmente, mais humilde, sem truques mesquinhos ou outro tipo de interesses, afastando-nos, por exemplo, de sentimentos como a vaidade insustentada, a inveja, a falsa satisfação pelo sucesso dos outros, bem como, do nosso muro das lamentações e A G I R, despindo a pele de fingidores e cuidar, principalmente, da nossa mente para sermos melhores no dia-a-dia. Temos que ter consciência que o nosso principal inimigo reside, primeiramente, dentro de nós próprios e que se transfigura através do pensamento.
Assim, se o Natal é também tempo de reflexão, vamos abrir o nosso coração e criar as pontes necessárias, congregando interesses e vontades individuais e grupais, porque, no fim de contas, como nos diz Santo Agostinho, “a finalidade de todas as nossas obras tem que ser o Amor”.