A opinião de ...

Os melhores governantes do mundo

            Já deixei de assistir às discussões da Assembleia da República, confortavelmente recostado no sofá da sala, em frente à televisão. Na verdade, nessas discussões, pouco tenho aproveitado para minha satisfação em relação ao bom andamento do país e, sobretudo, em relação a boas maneiras.
            Alcançada finalmente esta evidência (já por muitas vezes prestes a ser conseguida), resolvi dedicar-me a outros interesses bem mais benéficos para a minha saúde física e, acima de tudo, mental.
            Vivo agora naquela serenidade que me deixa feliz; e escrevo sobre o meu passado que vou revendo com saudade, vivido num comportamento rigorosamente moldado pela educação e pelos princípios que me foram ensinados por pessoas de bem.
            Encontrei numa família humilde, bem estruturada, bem formada e profundamente crente, a par das Instituições que frequentei e onde fui descobrindo os segredos e os meandros desta vida, exemplos de probidade e de firmeza moral que a custo tenho conseguido imitar, pois que as atuais circunstâncias da vida, infelizmente por demasiado intimidantes, são bem diferentes daquelas que então vivi.            Parece não haver certezas sobre o amanhã; e há quem perca demasiado tempo a argumentar que a sua versão de bem-estar para o Povo é a melhor de todas. Será? Há muita gente que duvida!
É certo que a verdade mais verdadeira é e há de ser sempre a verdade de cada um de nós, porque cada um de nós pensa que é o detentor da melhor verdade. No entanto, sobre essa presunção, convém aconselhar por um pouco a nossa autoconfiança e a nossa impulsividade antes de proferirmos qualquer opinião que, pela forma de a dizer, possa ofender a autoconfiança e a dignidade de outros.
Perante o que é posto à minha disposição através da imagem e da palavra, fico a pensar na peculiaridade e no procedimento sui generis da política que permite a cidadãos certamente bem formados e bem educados, a quem nós, pelo voto, passámos uma procuração para nos representarem na governação do país, permite – repito - que no exercício das suas funções, assumam atitudes totalmente impensáveis, no natural convívio em sociedade.
Palavras como “incompetente” e “mentiroso” entram abruptamente na minha casa, ferindo-me o ouvido e a mente e levando-me a pensar que, afinal, quando votei, não tive o cuidado de o fazer da melhor forma. E, por momentos, fico a pensar por que será que, nas eleições, há sempre uma boa percentagem de absentismo.
 
Temos um Grande País com um enorme e magnífico porta-aviões “feito” de terra em imensa água, um país cuja população deu e continua a dar cartas por todo o mundo.
Desde o alto cargo desempenhado pelo Papa João XXI, passando por ser o primeiro país a reconquistar o seu território submetido pelos mouros, continuando pelos descobrimentos marítimos e pela travessia aérea do Atlântico, até ao país da Europa Ocidental que derrotou Napoleão, o país que conta com prémios Nobel, com vencedores da maratona olímpica, que foi campeão do mundo em futebol de sub-20 e é campeão de futebol da Europa, que tem um Camões e um Pessoa, uma Amália, um Eusébio, um Secretário-Geral da ONU, um ex-Presidente da Comissão Europeia, investigadores distintos a nível mundial, o melhor futebolista do mundo, um dos melhores treinadores e um dos melhores selecionadores de futebol do mundo – senão os melhores -, um vencedor do Festival Eurovisão da Canção, um Presidente do Euro-Grupo, o país considerado como o melhor destino turístico do mundo, detentor de Património Mundial e país cujos emigrantes são devidamente reconhecidos como trabalhadores sérios e esforçados, não há dúvida de que estou a falar de um Grande Pais!
Por tudo isto, será que este Grande País não merece ter os melhores governantes do mundo?

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