A opinião de ...

ABRIR COM CHAVE DE OURO

Em primeiro lugar, desejo aos leitores de O Mensageiro um excelente 2018. Ano novo é para olhar para a frente com confiança renovada, bons propósitos e esperança reforçada. É natural e desejável que assim seja. Mesmo que o tempo cedo nos prove que as boas intenções se vão esfumando enroladas em desculpas esfarrapadas. Somos humanos. Entre o querer e o fazer, há um mundo sem fim. Se não for este ano, será para o próximo. Sonhemos, portanto, certos de que com o sonho, já dizia o poeta, o mundo pula e avança. 
No plano político, chegámos ao fim de 2017 com boas notícias e bons resultados. Fechámos e abrimos com chave de ouro, já que também iniciámos 2018 com excelentes indicadores e auspiciosas perspetivas. O INE veio confirmar a taxa de desemprego nos 8,2%. Nos últimos dois anos, foram criados 250 mil novos postos de trabalho. No início de janeiro, Portugal conseguiu colocar dívida pública a juros excecionalmente baixos e praticamente resolver as suas necessidades de financiamento para todo o ano. A economia portuguesa está de boa saúde. Mário Centeno tomou posse como presidente do Eurogrupo, prometendo “todo o empenho no processo de construção de uma Europa mais robusta a crises”.  Como poucos, ele conhece o efeito devastador das crises e o que deve ser feito para as evitar e resolver. O Eurogrupo foi criado em 2005 e é a primeira vez que elege um presidente do sul da Europa. Não de um grande país como a França, a Itália ou a Espanha, mas de um país de média dimensão e que saiu há não muito tempo de um processo de resgate. O que valoriza ainda mais a escolha, em que há uns meses poucos acreditavam. Interessante também, e com importante significado político, o facto de a tomada de posse ter ocorrido na embaixada de Portugal em Paris, que o mesmo é dizer em território nacional.
É porque Portugal está melhor no plano interno que se afirma e projeta a nível internacional. A experiência governativa, inicialmente olhada com desconfiança, é hoje apontada como uma referência no plano europeu. Não só os portugueses, mas também os europeus reconhecem que o Governo prosseguiu um caminho seguro no domínio social, económico e financeiro. É hoje evidente que os rendimentos das famílias foram reforçados, que houve descompressão social e que os níveis de confiança aumentaram, favorecendo o investimento e o desenvolvimento económico e a criação de emprego.
No debate quinzenal de 8 de janeiro, o primeiro-ministro António Costa elegeu como prioridade para 2018 mais e melhor emprego. O que pressupõe investimento na qualificação das pessoas ao longo da vida. Trabalho mais qualificado deve ser mais bem remunerado.  Mas também exige uma outra postura por parte dos empregadores que, com a crise, se habituaram a ter mão de obra barata, ainda que qualificada. No tempo do anterior governo, o trabalho foi desvalorizado e o capital sobreavaliado. É tempo de reequilibrar a equação. 
Termino, formulando votos de que em 2018 não se verifiquem novas tragédias como as dos incêndios que cobriram de luto o país. Temos de fazer tudo para as evitar. Mas não podemos ignorar que as alterações climáticas são uma realidade e vão continuar a provocar catástrofes naturais em muitos pontos do globo

Edição
3662