Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Qui, 2018-02-01 09:54

O peso de uma instituição

Texto

Durante anos, a discussão do momento era a passagem ou não do Instituto Politécnico de Bragança a universidade. A reivindicação atravessou anos e governos e teve em Durão Barroso o seu momento “quase”. A promessa de criar uma universidade em Bragança, feita durante a campanha eleitoral em 2002, rapidamente se transformou em algo como “a criação de ensino universitário” em Bragança depois de ganhas as eleições.
O que é certo é que nos últimos anos a discussão secundarizou-se, ao mesmo tempo que o IPB se assumia como o melhor Politécnico do país (assim considerado pelo quarto ano consecutivo, de acordo com um ranking da União Europeia). Com um corpo docente altamente qualificado (o rácio de doutorados é superior à generalidade das instituições do país) demonstra que houve a visão certa na altura certa, ou seja, antes de tempo.
O mesmo aconteceu com o processo de internacionalização. Numa altura em que o país vai repisando o abandono do interior, o despovoamento e a falta de nascimentos, o IPB deitava mãos à obra. Se na região não há alunos suficientes, vamos aonde os houver. Se Portugal não tem gente, vamos ao estrangeiro.
Hoje, cerca de dois mil dos 7500 alunos da instituição são estrangeiros. Representam mais de 12 milhões de euros para a economia do Nordeste Transmontano, segundo um estudo recente, de que aqui já demos conta.
Se tivermos em linha de conta que as exportações do concelho de Bragança cresceram, de acordo com dados do INE, 35 milhões de euros em 2016, vemos que o IPB representa o equivalente a um terço desse valor.
Hoje em dia, cidades como Bragança ou Mirandela já não se veem sem estes alunos. O crescimento de uma instituição que acaba de comemorar 35 anos começa a ser de tal ordem que até Macedo pode vir a beneficiar. Assim a região saiba acarinhá-la e as suas gentes os alunos que chegam e que podem significar o rejuvenescimento do Nordeste Transmontano. Disponibilizando alojamento, por exemplo, a preços justos. É que, às vezes, de tanto a espremermos, ainda matamos a galinha dos ovos de ouro.