A opinião de ...

A moeda dos afetos

No âmbito da prestigiada Festa Ancestral do Entrudo Chocalheiro, de Podence, uma aldeia de referência do concelho Macedo de Cavaleiros, da região transmontana e até, nalguns aspetos culturais, do país e além fronteiras, com mais valias em vários domínios, no contexto rural em que se insere, estive presente na cerimónia de apresentação da moeda de coleção comemorativa da Casa da Moeda, que decorreu, na tarde do passado Domingo, na Casa do Careto, daquela localidade.
Dada a grande afluência de forasteiros àquela aldeia, oriundos dos mais variados pontos do país e do estrangeiro, inerente animação e movimentação, o que faz jus ao facto de Podence considerar o seu Entrudo Chocalheiro, como o Carnaval mais Genuíno de Portugal, a Casa do Careto, mesmo com dimensões consideráveis, tornou-se pequena para albergar os interessados em participar na singular cerimónia de apresentação da moeda de 2,50 Euros.
Na verdade, esta cerimónia, teve tanto de singular, como de simplicidade e informalidade, o que a tornou mais genuína e inclusiva no ambiente que se vivia e sentia em Podence.
No “palco” da (in)formalidade, a que presidiu o presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, estiveram ainda presentes, o presidente da Associação dos Caretos de Podence, António Carneiro, o autarca local, João Alves, o Presidente da Casa da Moeda, Gonçalo Caseiro, e o diretor regional do norte do IPDJ, Vítor Dias.
Sem menosprezar qualquer um do restantes discursos de circunstância, dignos do momento, não quero deixar de referenciar as palavras de elevado sentido de interculturalidade e valorização das raízes ancestrais do Entrudo Chocalheiro, promotora da identidade e da região pelo mundo, e dos caretos no domínio da etnografia portuguesa, proferidas por Benjamim Rodrigues, bem como por Gonçalo Caseiro.
Para além de se referir às caraterísticas técnicas da moeda, com o valor facial de 2,50 Euros, à fundamentação que sustentou a respetiva emissão por parte da Casa da Moeda, Gonçalo Caseiro, realçou a ideia de “colocar em evidência alguns elementos da cultura tradicional que compõem a nossa identidade”, em colaboração com o Museu Nacional de Etnologia, referindo-se a esta moeda, como a moeda dos afetos”, sobretudo tendo em conta a simbologia nela representada pela autora, a escultora, Baiba Sime, onde são evidenciados os Caretos de Trás-os-Montes e as máscaras tradicionais, que emergem do seio das vivências nordestinas, no âmbito do ritual do carnaval das nossas gentes, que se perde no tempo e nas mentes.
De facto, se, por um lado esta apresentação se pode considerar ter sido devidamente enquadrada, na data e local, a relação da expressividade e representatividade da moeda com ser e sentir do nosso povo, sustentará em pleno a denominação da “moeda dos afetos”.

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