A opinião de ...

Identidade

Para uma sã convivência, todas as relações pressupõem regras e códigos. Regras e códigos que assentam em princípios antropológicos, filosóficos e teológicos sobejamente refletidos, estudados e vividos secularmente. São estas regras e códigos que dirimem o egoísmo e narcisismo naturais do ser humano e potenciam amplamente a revelação do melhor que há em cada um. Porém, não se pode esquecer nesta equação o condicionalismo próprio do tempo-espaço ôntico, ou seja, o homem é um ser num tempo e num espaço próprios, com condições e circunstâncias únicas e irrepetíveis. Assim, o passado assume-se como o pilar central que solidifica a identidade e desvela a personalidade de cada homem. Como é importante o passado!
Por isso, esquecer o passado é esquecer quem sou, é não reconhecer-me como ser identitário, é desconhecer o meu lugar no mundo e na história, é não saber para onde vou e ao que sou chamado a ser. Sem a consciência reconhecida do passado e da importância desse, nunca o homem apontará para futuro porque o presente também nunca será vivido como continuidade ininterrupta do passado que é sempre presente.  Dito de outra maneira, o passado ilumina o presente e esclarece o futuro. A dimensão ôntica espaço-tempo atinge neste trinómio – passado-presente-futuro – a plenitude vivencial (quase sacramental) da existência humana.
O Prof. Fernando Seara resume com a eloquência o que acabamos de dizer: «“Bom dia”, “desculpe”, “se faz favor”, “perdão”, “obrigado”, tais palavras, entre outras expressões, espelham o respeito pelo outro e estes ensinamentos, que são manifestamente os que inauguram a aquisição e a aprendizagem da língua materna, estão imbuídas nesta vontade de negar o egoísmo e o narcisismo naturais e de destruir a ansiedade».
Que saibamos nunca esquecer de onde viemos para que nunca percamos o horizonte do que somos chamados a ser, da vocação amorosa que Deus Nosso Senhor tem para todos e cada um de nós.

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3668