Movimento pelo Interior

Talvez não seja muito consensual dividir o país em dois blocos, um constituído pelo Interior e o outro pelo Litoral. Desde há muitos anos que não é difícil constatar que em Portugal existe uma parte cada vez mais próspera e mais densamente povoada (Litoral) e outra parte cada vez mais desertificada (Interior). Vive-se uma realidade difícil de inverter, no sentido em que o Litoral tem pessoas a mais, tornando as suas vidas cada vez mais complicadas e o Interior tem pessoas a menos, com um número insuficiente para poderem ter garantidas melhores perspetivas de vida.
Tendo presente esta realidade, parece bastante fácil encontrar consensos para resolver o problema, se a qualidade de vida melhora no Litoral se diminuir a densidade populacional, e a mesma qualidade de vida aumenta no Interior se aumentar a densidade populacional, então a solução está encontrada, bastando para o efeito aumentar a população no Interior e diminuí-la no Litoral. O problema que se põe é saber como fazê-lo. Consciente desta realidade, vejo como muito promissor o Movimento pelo Interior.
Do Movimento pelo Interior, recorrendo ao seu site, http://www.movimentopelointerior.org/, destaco: “O recém criado Movimento pelo Interior, aberto a todas as personalidades e instituições que queiram aderir para que se defina, em concreto e bem faseado no tempo, um conjunto de medidas de políticas públicas e que, num prazo de 12 anos (3 legislaturas), seja clara a reversão da situação que hoje se vive nos territórios do Interior (…)”, “os diagnósticos estão feitos e não podemos perder mais tempo. Impõe-se uma nova forma de lutar e de combater as injustiças económicas e sociais”, “empresários, autarcas e académicos pedem coragem política para mudar o interior”, “autarcas, empresários e académicos apresentam dentro de seis meses caderno reivindicativo com seis medidas radicais para o Interior”.
As expressões apresentadas evidenciam amplos consensos entre personalidades de diversos quadrantes políticos e de diversas instituições, todos a manifestar um objetivo comum: desenvolver com urgência e de forma acelerada o Interior do país. Esta ideia está a tornar-se presente nos diversos órgãos de comunicação social.
O jornal público de 25-02-2018 afirma: «Até ao Verão, um conjunto de personalidades quer entregar a responsáveis políticos um pacote de medidas "radicais" e "arrojadas" para promoverem o povoamento do interior” (…) “Um autarca do PS e um do PSD juntaram-se a Miguel Cadilhe para um movimento que quer lançar ideias arrojadas para contrariar o despovoamento no interior”.
É importante que se admita, de uma vez por todas, que os portugueses devem usufruir dos mesmos direitos e de perspetivas de vida idênticas, independentemente da parte país onde se encontrem e para isso o país não pode ter um desenvolvimento tão desigual.