A opinião de ...

Quo vadis PSD? (I)

Não escondo a simpatia política que tinha pelo Dr. Pedro Santana Lopes na disputa de liderança do PSD pela sua forma de estar na política. Mas também não escondo a satisfação que me deu a vitória do Dr. Rui Rio.
E o que se passou a seguir à eleição vem provar que não havia contradição na análise que fazia do que seria melhor para o PSD na sucessão do Dr. Passos Coelho. A disputa da liderança demonstrou que estava a ser feita por dois homens com H grande. E o  congresso decorreu de acordo com os entendimentos a que estes dois homens foram capazes de chegar. Para bem do país, da democracia e do PSD. Só que o congresso demonstrou, também, que havia outro PSD: o PSD da intriga, dos interesses mesquinhos e maquiavélicos e dos interesses centralistas e macrocéfalos da linha do Estoril que «todo lo manda». PSD este, perfeitamente, corporizado por Paula Teixeira da Cruz e sr. Miguel Relvas. Interesses mesquinhos e maquiavélicos, centralistas e macrocéfalos da linha de Cascais que vieram à luz do dia na eleição da liderança do grupo parlamentar.
O que se passou nesta eleição roça o cinismo com que alguns «senhores» deputados transportam consigo aonde quer que estejam. Roça a falta de ética com que alguns «senhores» deputados se comportam no desempenho da sua função parlamentar. E roça a falta de seriedade e honestidade intelectual. Prova também a sua covardia. Se não concordavam com a eleição e a vitória do Dr. Rui Rio tinham renunciado aos seus mandatos de deputados para que outros ocupassem os seus lugares. Até podia acontecer que desses «novos» deputados alguns fossem apoiantes do novo líder. Mas não o fizeram. Por cinismo, por falta de ética, por falta de seriedade e honestidade e por covardia. Ou por causa do tacho? Este espectáculo trazido para a opinião pública foi vergonhoso, degradante e inqualificável. Mas teve a vantagem de levar as pessoas a tirarem duas conclusões: primeira – o novo líder do PSD tem um trabalho enorme e importante para fazer do PSD, outra vez, um partido confiável e necessário no regime democrático e credível perante os portugueses; segunda – é que aqueles que não souberam ou não quiseram colocar os interesses do país e do PSD acima dos seus «inconfessáveis» interesses pessoais não farão parte das listas de deputados do PSD nas próximas eleições legislativas.
E esta não inclusão dá ao Dr. Rui Rio um campo de manobra na credibilização do PSD que os portugueses  não deixarão de compensar e os militantes do PSD não deixarão de agradecer. Vermo-nos livres destes «anões» políticos é a linha que separa o novo PSD de Rui Rio do velho PSD dos interesses, dos barões e baronetas. E este facto é mais importante do que tudo o resto.
A eleição do Dr. Rui Rio traz a muitos portugueses a esperança de vermos a política mais credível. A eleição do Dr. Rui Rio traz a muitos portugueses a esperança de termos uma democracia mais representativa  e mais participativa. E mais limpa das nódoas e das gorduras  que nos andam a ensaboar nos últimos anos.
Se por causa da eleição do Dr. Rui Rio os portugueses pudermos dizer «branco mais branco não há»  já terá valido a pena a sua eleição.

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