A opinião de ...

O Dia Seguinte

No dia 17 de fevereiro de 2018, no decorrer do 37.º Congresso Nacional do partido, o Dr. Rui Rio foi consagrado como o novo presidente do PSD. Com um discurso pouco empolgante e apenas interessante em termos de conteúdo romântico-político, o novo líder do partido “puxou dos galões” e recuperou alguns dos ideais de Francisco Sá Carneiro e de Helmut Schmidt, fazendo uma analepse quase perfeita, numa tentativa de (re)lembrar, aos mais passisto-esquecidos, a verdadeira matriz social-democrata.
 Entre aplausos e encenações de união, aparentemente tudo decorria no “centro-das-perfeições”: o conclave reunia no centro de Congressos de Lisboa, o partido era o centro das atenções dos media e o Dr. Rui Rio discursava num púlpito devidamente centrado com a plateia, na tentativa re-centrar o partido. No discurso, invocava uma “renova” ideologia, direcionando a narrativa para a fustigada classe média, elegendo as questões sociais e os desafios económicos como as suas grandes bandeiras de atuação! O partido estava finalmente em convergência técnica. Mas o melhor, estava ainda para vir!
E não é que estava mesmo, pois, as já famosas trapalhadas não demoraram muito a aparecer! Inacreditavelmente, começaram logo no próprio Congresso, na eleição da Comissão Política que correu, francamente, muito mal. Uma das mais baixas da história! E porquê?! Por um erro amador, quiçá, por vaidade ou necessidade de afirmação! Nessa matéria, não se compreende, nomeadamente, a escolha da Dr.ª Elina Fraga. Pessoalmente, repugno condenações grosseiras na praça pública, porque, se por um lado todos são inocentes até que se prove o contrário, por outro, já todos conhecemos as artimanhas que se plantam na comunicação social. Mas, não obstante a essas questões, trata-se de uma figura que, dentro do partido, é controversa e que não reúne consenso entre os militantes, o que, só por si, teria sido motivo, mais do que suficiente, para não ter integrado a vice-liderança do partido. É alguém fraturante e ponto final, parágrafo!
Resultado desta trapalhada?! No dia seguinte ao Congresso, estranhamente (ou previsivelmente não), o tema de conversa não era o novo presidente do partido, mas sim, outras personagens e situações que não contribuem, em nada, para a tão desejada estabilidade e notoriedade que o partido necessita de recuperar junto dos portugueses.
Posteriormente, veio a escolha polémica do novo líder do grupo parlamentar e nova trapalhada! Não se compreende como é que, estrategicamente, o Dr. Rui Rio não reconduziu o Dr. Hugo Soares na liderança da bancada. Tudo teria sido bem mais fácil e pacificador, mas o futuro assim o dirá!
Quem diria que, um dos chavões do Dr. Rui Rio é a sua disponibilidade para, através de um diálogo construtivo e responsável, criar condições para consensos alargados com o PS, nomeadamente, nas áreas mais sensíveis. Até aqui, tudo bem! No entanto, por birrice, no meio deste imbróglio interno, o novo Líder não foi capaz de canalizar essa sua capacidade extraordinária de diálogo (ainda não reconhecida) para dentro do próprio partido, o que pode levar os intelectuais mais ousados a pensar que, tudo isto, não passará de mera propaganda política! Já diz a sabedoria popular: “forma primeiro a tua lavoura e levanta a tua casa, então, estarás à vontade para constituir a tua família”.
Infelizmente, parece que o Dr. Rui Rio ainda não percebeu que já não está a liderar uma autarquia, mas sim, o maior partido português e que o campo de batalha mudou, o que exige trincheiras de outro apetrecho bélico. Os partidos que alimentam a geringonça ostentam de uma capacidade invulgar de cinismo e hipocrisia e, quando chegam ao poder, são como “sanguessugas”, não o largam, pois, vivem agarrados a interesses subterrâneos, camuflados numa falsa pobreza e preocupações com as questões sociais. 
É necessário muito mais! O PSD tem que se demarcar da frente esquerda ou de questões ideológicas, deve focar-se, sim, nas pessoas, no seu capital, nos nossos recursos endógenos (geológicos, hídricos, biológicos, climáticos e culturais), materializando todo potencial do país, que é inesgotável, em valor acrescentado.
Por isso, não chega falar em desertificação, descentralização, precariedade, crescimento económico, entre outras matérias, é urgente uma Visão sustentada e realista para o país, que vise um efetivo desenvolvimento. E nesse capítulo, se formos ao poder local, felizmente, temos bons exemplos e não é necessário olhar para Espanha como sugeriu o Sr. Primeiro-ministro.
Um desses bons exemplos é, efetivamente, a cidade Bragança que, com menos, tem feito muito e bem; com apostas estratégicas em áreas importantes como o turismo, a promoção dos produtos da terra, a dinamização do comércio local, bem como, em medidas de incentivo para atrair novos investidores que começam a dar os seus frutos. Fica aqui a receita: + economia + inovação + exportações + poder de compra + autonomia financeira + qualidade vida = munícipes mais felizes. Este é o caminho!...

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