A opinião de ...

Um empreendedor

Nos primórdios ao ler a notícia da criação do Instituto Politécnico de Bragança ficou-me a ideia de ser uma extensão da Escola Superior de Educação de maior volumetria, de espaços circundantes mais largos e acima de tudo lugar de estacionamento de professores regressados das colónias em coabitação com os relegados das Universidades por terem esgotado o período destinado ao doutoramento. Depressa dissipei tal ideia. Ouvi algumas vezes o Professor Doutor Lima Pereira, apreciei o entusiasmo dos queridos amigos Francisco Cepeda e José Monteiro, mais tarde escutei atentamente Dionísio Gonçalves e percebi quão profundo era o seu propósito era o seu propósito de serem pais, padres, padrinhos da instalação na cidade de uma organização de ensino capaz de se assumir como fautor de desenvolvimento da Região nos segmentos do primário, secundário e terciário especialmente na área da cultura científica e técnica segundo o padrão teórico de C. P. Snow e seus seguidores.
De longe fui colhendo novas e mandados relativamente ao Instituo, nas idas a Bragança quando encontrava o “Xico” Cepeda recebia informações que ele podia transmitir a elucidar-me sobre os obstáculos e barreiras a surgirem quando menos se esperava, a astúcia empregue na sua ultrapassagem e ainda sobre o seu doutoramento concluído brilhantemente na Universidade Técnica de Lisboa.
O Instituto alargou competências e extravasou os muros da cidade, sem demora deixou de ser bolha económica especialmente no arrendamento e na restauração, para se constituir como uma das traves-mestras da economia do Nordeste, quiçá da província transmontana.
A determinada altura começaram a surgir universidades a rivalizarem com a eclosão de pantorras e repolgas após as chuvas outonais, e em contra relógio a aumentar a crise demográfica. Antevi dificuldades para os Politécnicos que continuam, apesar de serem preocupantes, o Politécnico de Bragança superou-as, se me permitem a trivialidade no dizer – com uma perna às costas –, porque a perspicácia de Sobrinho Teixeira seu Presidente até há pouco tempo levou-o a redesenhar ofertas curriculares, modelos de acolhimento e consequente fixação do corpo discente. Por isso o considero Empreendedor no amplo sentido do termo, pois não contente em expandir e aprimorar a sua internacionalização, deu-lhe visibilidade ecuménica, isto é: corpo docente versátil e oriundo de Franças e Araganças, cooperação internacional no âmbito da permuta científica e técnica, plataforma internacional e Babel, a lembrar roda giratória lisboeta no tempo dos descobrimentos.
O documentário transmitido na SIC no passado sábado ilustra lapidarmente o contributo do Instituto na integração de jovens e algumas famílias vindas de longe na procura de segurança e paz, dos seus filhos e outros jovens interessados no apetrechamento intelectual, ainda de investidores e inventores.
O Professor Sobrinho Teixeira pode alegar em sua defesa apenas ter feito a sua obrigação, eu acuso-o de ser responsável pela prova-provada de as ideias levadas à prática visando o bem comum e a exigência de as mesmas serem bem executadas demonstram a validade do fazer/fazendo do aceitando outras aculturações contribuem para a felicidade e a riqueza das nações, entenda-se regiões. Obrigado Senhor Professor!

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