A opinião de ...

António Manuel FERREIRA DEUSDADO

 
Perfarão no próximo dia 21 de Dezembro 100 anos sobre a morte do investigador da área da educação e professor de Filosofia, História e Geografia António Manuel Ferreira Deusdado (Rio Frio, Bragança, 7 de Abril de 1958 – Lisboa, 21 de Dezembro de 1918).
A intenção deste artigo é pois chamar a atenção para a efeméride e para a necessidade de a Escola Superior de Educação e as autarquias paroquial riofrigidense e municipal bragançana prestarem a devida homenagem a uma personalidade que muito contribuiu para a investigação da educação em Portugal e para a evolução dos métodos de ensino, sobretudo dos de Filosofia, História e Geografia, a sua especialidade como professor.
Seguimos Pinharanda Gomes em Prefácio a Educadores Portugueses (1988), para escrever estas notas.
Nascido a 7 de Abril de 1858, na localidade de Rio frio, freguesia de Rio Frio, Ferreira Deusdado foi educado pela mãe, Florência Cavaleiro de Miranda, numa linha cultural católica e tradicionalista que o nosso autor haveria de manter próxima do Miguelismo e do Partido Regenerador, colocando-o assim próximo da defesa dos valores culturais tradicionais e abrindo as portas ao Integralismo Lusitano que a I República e o Estado Novo tanto viriam a apoiar como projecto de reconstrução da identidade nacional e da coesão ideológica contra a subserviência aos ingleses e à Europa em geral.
Chegado à mocidade e graças às possibilidades financeiras dos pais, agricultores bem governados embora sem brazão ou título nobiliárquico, foi estudar para os Liceus de Bragança e, depois, de Vila Real e, findo o Liceu, foi estudar Agronomia para Lisboa. Como gostava mais de Letras, foi para o respectivo Curso Superior tendo-se licenciado em 1884. Considerado o melhor aluno do curso, exaltou como professores Jaime Moniz, António Costa Lobo, o bragançano Luciano Cordeiro, entre outros.
Destinado a uma vida profissional longe da sua terra natal e dos seus familiares, Deusdado manifestou muitas vezes o amor pela vida do campo e da aldeia mas dedicou-se à educação, sobretudo à criação e dinamização da Revista de Educação e Ensino (1886-1900), «dedicada ao Professorado, Lavradores e Criadores de Gado de Portugal e Brasil» e publicada em Leça da Palmeira.
Em 1887/88, foi substituir Manuel Pinheiro Chagas, nomeado Ministro, no Curso Superior de Letras, em Lisboa, com o que inicia a sua carreira docente que haveria de passar pelos liceus de Beja e de Lisboa terminar nos Açores e ao longo da qual vai publicando várias obras das quais destaco: Ensaios de Philosophia actual (1888), Literatura Grega e Latina (1889), Criminalidade e Educação (1889), O Ensino Carcerário e o Congresso Penitenciário de S. Petersburgo (1891), Elementos de Geografia de Portugal (1891), Corografia de Portugal Ilustrada (1892). Mas é com Educadores Portugueses (1900), prefaciado por Pinharanda Gomes, que dá o maior contributo para História da Educação compilando o património educacional português desde o Século XII.
Terá ainda influenciado muito as reformas do tio, Manuel Gonçalves Cavaleiro de Ferreira, enquanto ministro, na área da tutela criminal e de menores.

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