A opinião de ...

Direitos de Classe…

 
É-me claro, evidente, mais que entendível, intuitivo. Vem dos filósofos antigos, dos que na Grécia andavam de toga e eram consultados nas decisões difíceis, no Conselho dos Velhos. Diziam, para quem os quisesse ouvir, nos senados democráticos, nos degraus dos teatros, entre colunas, nos Coliseus, para Césares, em todos os recintos públicos, que o motor que faz pular a humanidade provém do cerne do universo, lá no epicentro das galáxias onde moram a imortalidade e o conceito inatingível de infinito, do inconsciente pensamento de que fazemos parte do tempo.
Dito de outra forma, com a simplicidade de passa-informação, porque nos sentimos imortais, avançamos, projetamos para o amanhã que é sempre no dia seguinte, o futuro é caminho e meta, inovar, o desejo constante de ansiar, a interiorização de eternidade, tudo é ignição dos que querem e desejam continuar. O refreio, o pensamento continuo e mórbido da nossa condição finita será augúrio de sofrimento alarmante, de paragem antes de tempo, do desistir.
No entanto e porque a terra gira o relógio roda e, sincronicamente, dia após dia, ano após ano, séculos depois, cá estamos, muitos mais, exponencialmente superlotada, com recursos no limite do razoável, a Terra, nossa casa, exaura-se, definha, culpa da insensatez humana.
Sim, antes do respiro inicial, estivemos ligados à máquina, a nossa mãe, dela fomos dependentes os nove meses ditados pela outra, a mãe natureza, a que, após o corte umbilical nos vai receber.
Os recursos apontam para a sobrevivência física, mas muito acima desta, o humano, completo, feliz, pronto para o que aí vem, a conquista do espaço na infinitude cósmica, tenderá para um equilíbrio saudável entre o físico, a mente e a alma.
E é neste ponto que entra a democracia, gestão social nascida lá na Grécia onde Filósofos de toga e sandálias lançavam as sementes da solidariedade e da igualdade, sem as quais a liberdade seria utopia, miragem inacessível sendo, a falta dela, a causa das nauseabundas guerras que nos destroem levando com elas as crianças que juramos amar.
Agora, nos novos tempos, não vale olhar para o umbigo, contra o grupo, o todo, uma nação terá de avançar toda junta, unida, rumo à igualdade, praticando a fraternidade sem a qual nunca haverá liberdade.
Até hoje, um tabu irracional proibia dissertar acerca do despudorado fosso que separa o sector publico do privado. Agora, só agora, devido à absurda luta dos professores, todos os media escritos opinam acerca das corporações e seus direitos e, dentro destas, acerca das absurdas regalias da classe docente.
 De uma vez por todas: quem foi esmagado pela troika foram os privados, foram estes os despedidos, 400 mil, e os que regressaram ao mundo do trabalho auferem metade do ordenado anterior e precário. Os que não perderam o emprego não têm aumento salarial há mais de quinze anos e não têm qualquer espécie de carreira. E neste contexto, uma corporação fixada no seu umbigo, alheia ao espírito de grupo, com progressão automática na carreira bastando prova de vida, sem avaliações e méritos, sem topete, sem vergonhas e aviltando todo o mundo laboral, exige distinção, contra tudo e contra todos exige os seus Direitos de Classe…

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